
- Guararapes (GUAR3) vende o Midway Mall por R$ 1,6 bilhão em operação liderada pela Capitânia;
- Venda pode gerar dividendos expressivos, antes da nova tributação em 2026;
- Transação simboliza mudança de gestão, encerrando o legado de Nevaldo Rocha e priorizando retorno ao investidor.
A Guararapes (GUAR3), controladora da Riachuelo, anunciou um acordo para a venda do Midway Mall por R$ 1,6 bilhão, em uma das maiores transações imobiliárias do ano no varejo brasileiro. O negócio, que ainda depende de diligências e contrato definitivo, atende a uma demanda antiga de investidores por melhor alocação de capital.
O valor representa quase 30% do valor de mercado da Guararapes, que encerrou a sexta-feira (7) avaliada em cerca de R$ 5,5 bilhões na B3. Após o anúncio, as ações da companhia subiram quase 3%, refletindo a boa recepção do mercado ao movimento estratégico.
Venda bilionária e histórico familiar
O Midway Mall, inaugurado em 2005, foi construído por Nevaldo Rocha, fundador da Guararapes. Desde então, consolidou-se como o maior shopping de Natal (RN). Além disso, tornou-se um dos principais empreendimentos do Nordeste, atraindo grande fluxo de visitantes e investimentos contínuos.
A venda do ativo era vista há anos como uma forma de destravar valor para a companhia, mas só se tornou possível após o falecimento de Nevaldo, em 2020.
O empresário mantinha um forte apego emocional ao shopping, chegando a vetar a cobrança de estacionamento para “não afastar os clientes”.
Portanto, com a nova gestão, a empresa adotou uma postura mais pragmática, focada em maximizar retornos e gerar caixa para os acionistas.
Estrutura do negócio e pagamento
Segundo fontes próximas à operação, o valor acordado foi de R$ 1,6 bilhão, podendo sofrer ajustes após as diligências.
Sendo assim, os compradores pagarão o valor de forma parcelada. Eles depositarão parte dos recursos imediatamente no caixa da Guararapes e o restante nos próximos anos.
A Capitânia lidera o consórcio comprador. Ademais, conta com gestoras de fundos imobiliários, um player regional do setor e uma tradicional família nordestina.
O BTG Pactual assessorou a Guararapes e contou com apoio jurídico do Cescon Barrieu Advogados. Já os compradores tiveram representação da XP e do BMA Advogados.
Dividendos no radar dos acionistas
Com alavancagem baixa (0,5x EBITDA) e sem grandes planos de expansão, analistas avaliam que a Guararapes deve distribuir parte relevante dos recursos da venda como dividendos.
Assim, a possibilidade de tributação sobre dividendos a partir de 2026 pode acelerar essa decisão, levando a uma antecipação de pagamentos ainda neste ano.
Nesse sentido, a transação marca um divisor de águas na estratégia da companhia. Além disso, reforça o esforço para ser mais eficiente e menos dependente de ativos imobiliários.
“Essa operação é simbólica: marca o fim de uma era e o início de uma Guararapes mais ágil e voltada ao retorno para o acionista”, afirmou uma fonte próxima à empresa.