Guia do Investidor
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Colunistas

Acabou o tempo do ‘dinheiro fácil’ para as fintechs

Recentemente, tivemos de demissões em massa em startups brasileiras. Esse movimento chama a atenção por acontecer em um meio que vinha acostumado a aportes volumosos de capital com o foco principal em multiplicar o crescimento dos players.

Nesse frenesi de conquista de um em expansão, motivado pelo acirramento da concorrência, muitas empresas acabaram relegando a um segundo plano o balizamento das condições para sustentar os parâmetros de alta a que se sujeitavam.

É como se tivessem lançado foguetes para conquistar um determinado espaço sem levar em conta exatamente onde eles iriam pousar. Só que chegou o momento da aterrisagem. E ela se dá em terras bem menos férteis e de recursos bem menos abundantes do que os que se anunciavam à época da decolagem.

A questão é que o cenário mudou, e isso a nível global. As incertezas conjunturais levaram ao aumento das de juros, da inflação e da inadimplência. Então, a adrenalina do crescimento desenfreado baixou, e os participantes dessa corrida tiveram de dar uma pausa para cuidar da própria estrutura, eventualmente recuperá-la e mesmo redimensioná-la.

Apesar de as variáveis econômicas terem favorecido essa reorientação, é possível dizer que se trata de um ajustamento natural e esperado em qualquer contexto mercadológico e concorrencial. Após um boom inicial, vem o tempo de sedimentação, de adequações, de seletividade dos mais capazes, dos mais adaptados.

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Entre 2016 e 2022, surgiram 513 do setor financeiro no , de acordo com um estudo da consultoria de inovação aberta Distrito. Hoje elas já totalizam 1.289 empresas, das quais 225 são de crédito.

Elas despontaram com uma proposta realmente inovadora e de olho em um público até então apartado do sistema. Graças a uma robusta utilização de recursos de tecnologia, essas startups buscaram tornar mais simples e ágil o acesso a serviços financeiros. Permitem, com suas estruturas mais leves, custos de operação mais baixos e desenham novas ofertas e produtos sobretudo para a população pouco ou nada atendida pelo mercado tradicional, caso dos 100% desbancarizados e de novos entrantes, como a Geração Z e os Millenials.

Além de acenar com vantagens como menos burocracia e custos de contratação menores, as passaram a valer-se de avanços estratégicos como modelos alternativos de análise de risco.

O sucesso obtido pelos pioneiros dessa atuação mercadológica atraiu mais entrantes para o segmento, e os próprios bancos mais tradicionais não quiseram ficar de fora da competição e correram para incorporar novos tipos de oferta às suas carteiras.

Porém, dada a dimensão da demanda, é difícil falar em saturação desse mercado. Para se destacar em meio à concorrência sem desconfigurar seu propósito central, as fintechs têm muitos territórios para desbravar. As inovações tecnológicas avançam velozmente no setor, carregando com elas novas possibilidades de desenvolvimento de produtos e serviços que se prestem a diversas finalidades, desde a compra de bens de consumo até o financiamento imobiliário.

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Além da tecnologia 

O que as empresas que nele transitam não podem, na verdade, é se acomodar ou apoiar-se somente em tecnologia. Não basta entregar soluções Plug and Play ou infinitas APIs. É preciso pensar o produto e, acima de tudo, a quem ele se destina. O desenho final deve não somente entender as dores do cliente, mas permitir à entregar valor (lucro) a seus acionistas.

Dessa forma, compreender suas próprias limitações e aquelas que o meio impõe é aportar inteligência. Muitas fintechs, então, têm feito valer aquele ditado do “se não pode com o inimigo, junte-se a ele”. Parcerias entre players do setor se tornam cada vez mais costumeiras, fomentando simbioses entre expertises que se mostram muito benéficas para o sistema como um todo.

Ainda veremos muitos ajustes, mas as fintechs têm ainda fôlego para ir longe, desde que não percam o foco na melhoria contínua.

E esse aprimoramento constante não tem de ser somente tecnológico, mas também operacional. Entre as empresas com boas ideias, muitas acabaram apresentando falhas de execução em seus projetos. A excelência na oferta é vital para o sucesso diante das novas perspectivas instauradas.

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É fato que os valores de ações de algumas empresas caíram em meio ao cenário de juros altos e aumento de inadimplência, o qual levou à desconfiança quanto à sustentabilidade e à capacidade de geração de receita/lucro por parte dessas startups. Ainda assim, elas constituem o desenho mais ágil, adaptável e barato de acelerar inovações. O importante é entender como fazer isso de maneira saudável e entregar valor aos investidores.

Por Carolina RezeminiDiretora Regional de Vendas para a América Latina da Credolab 

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