Eufrásia Teixeira Leite: a história da primeira mulher a investir na Bolsa de Valores

Eufrásia Teixeira Leite: a história da primeira mulher a investir na Bolsa de Valores

26 de março de 2019 5 Por Diego Dias

Mulher inconformista, de espírito independente, hábil investidora que acumulou uma fortuna por mérito de seu próprio trabalho.

Eufrásia Teixeira Leite levou uma vida fora dos padrões de sua época. Onde esses eram impostos por uma sociedade masculina e patriarcal.

Nascida em família de “barões do café” do vale fluminense, decidiu por si própria qual seria o seu destino. Então que até hoje é considerado por muitos um tanto quanto inusitado, ser agente, operadora e investidora da bolsa de valores, de paris.

Mais que isso, Eufrásia entrou para história se tornando a primeira mulher a investir na Bolsa de valores.

Quem foi Eufrásia Teixeira?

Eufrásia (1850-1930) nasceu em Vassouras, cidade no Vale do Paraíba fluminense. Foi a terceira filha de Joaquim José Teixeira Leite e Ana Esméria Corrêa e Castro.

Seu pai atuou na política imperial como presidente da Câmara Municipal de Vassouras. E também foi deputado da província do Rio de Janeiro.

Contudo, sua principal atividade era a Casa Comissária de café. Onde recebia dos fazendeiros o café que seria mais tarde vendido e exportado.

Por fim, todo o dinheiro arrecadado era mantido em crédito em uma conta do fazendeiro. Da qual era debitado o valor dos mantimentos e outros pedidos que garantiam novas plantações. Naquela época, eram as casas comissárias que financiavam a lavoura de café. E sua garantia era a safra futura

Educação rígida

Eufrásia estudou em um internato dirigido pela francesa Madame grivet, onde estudavam também todas as moças.

Cujo as famílias eram ricas. No currículo do colégio constavam as disciplinas:

  • doutrina cristã
  • português e francês
  • inglês e alemão
  • história
  • geografia
  • aritmética
  • caligrafia
  • música
  • desenho e trabalhos de agulha.

Assim através de suas anotações já era possível perceber sua personalidade forte e independente. Como por exemplo, datada de 1859, quando ela tinha apenas 9 anos de idade:

“eu escrevi isto em 21 de março, mas eu sabia melhor escrever porque eu escrevi, com muita pressa porque eu quis”.

Eufrásia e sua irmã perderam a mãe e o pai em um curto período, seu irmão havia falecido ainda bebê. Assim as irmãs herdaram uma fortuna equivalente a 5% do valor das exportações brasileiras.

Então sozinhas, ricas e solteiras, decidiram tomar o caminho totalmente improvável para as mulheres da época, deixar o país e se mudar para Paris.

Era o ano de 1873, Eufrásia, completava naquele ano, seus 22 anos. Sua irmã mais velha, já estava com 28. Então contrariando todos os padrões da sociedade patriarcal da época, optaram por não se casar. E então não remeteram aos tios a administração da herança.

Afinal, seu pai lhes ensinara matemática financeira, conhecimento este que as libertou das mãos da tutela masculina.

Eufrásia, a primeira mulher a investir na Bolsa de Valores

Sempre muito bem decidida, ela dirigiu sua própria vida, em uma época que cabia às mulheres um papel socialmente secundário, dependente e obediente a um marido provedor.

Eufrásia multiplicou inúmeras vezes a fortuna herdada, através de negócios bem-sucedidos no mercado de ações. Naquela época as mulheres se que eram educadas para administrar seus bens e em muitos países eram até proibidas.

No entanto, Eufrásia mais uma vez desafiou os padrões e mergulhou em um universo que na época era considerado exclusivamente masculino. A presença feminina era permitida somente nas galerias da Bolsa de Valores, vedando-lhes o acesso ao local onde eram realizados os negócios.

Sendo assim, ela necessitava de intermediários para concretizar as compras e vendas de ações, entres eles Albert Guggenheim. Mesmo com tantas adversidades, elas mais uma vez se mostrou uma excepcional gestora e uma bem-sucedida operadora e investidora da Bolsa de Valores.

Com forte Tino para negócios, Eufrásia foi bem-sucedida na gestão de seu patrimônio mesmo passando por difíceis cenário como as reviravoltas da economia cafeeira do Brasil e a crise da Bolsa de Nova York.

Ao falecer, em 1930, o patrimônio de Eufrásia somavam 30 mil ações de incríveis 297 empresas distribuídas por 10 países. Além disso possuía participações acionárias em minas de ouro, estradas de ferro, títulos e bens na Rússia, Alemanha, França, Bélgica, Japão, Egito, Romênia, Estados Unidos, Canadá e Chile.

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