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Indústria de São Paulo parou no tempo e estado precisa pensar políticas conjuntas para o desenvolvimento, dizem especialistas

Seminário realizado pelo Sinafresp discutiu histórico da paulista e caminhos para superar desindustrialização e crises econômicas

Setor tradicional no estado de São Paulo, a parou no tempo e vê sua participação na economia do estado diminuir ano após ano. Por outro lado, os incentivos fiscais, que chegam a R$ 58 bilhões em 2022, representam um esforço do estado que pode estar descolado de outras políticas. A análise foi apresentada no seminário “Estrutura Produtiva e Tendências da Economia Paulista: o que tem acontecido nas últimas décadas?”, promovido nesta quinta-feira (30) pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de São Paulo (Sinafresp), em parceria com o deputado estadual Emídio de Souza (PT), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

“Debater o bem-estar social, o desenvolvimento econômico e a distribuição de renda é ainda mais importante num ano decisivo como o de 2022 e num contexto de impactos da pandemia, com alta, e uma série de problemas sociais agravados. Nosso Estado representa a maior receita do país, mas é fundamental entender esse histórico e apontar novos caminhos para superar as crises”

disse Marco Antonio Chicaroni, presidente do Sinafresp, que mediou o seminário.

Com uma indústria forte e dominante até meados dos anos 1970, a economia paulista se manteve na dianteira nas últimas décadas, embora tenha perdido participação no PIB nacional. Se o fenômeno parece negativo, pode indicar o crescimento de outras regiões. O problema, destacaram os especialistas, é quando a diminuição da participação de São Paulo ocorre também em períodos de , indicando que o estado não consegue reagir a queda.

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Transformações na participação dos setores na economia também apontam alguns caminhos para construir uma retomada robusta. Com uma desindustrialização considerada precoce, sem que a população tivesse alcançado um aumento de renda considerável, São Paulo viu o setor de aumentar sua participação em 7,9% nos ganhos do estado, saindo de 69,3% em 2002 para 77,2% em 2018.

A indústria, por sua vez, viu a participação no valor agregado cair de 27,4% em 2002 para 21,1% em 2018, uma queda de 6,3%. Apesar de ser o mais sofisticado do país, o setor ainda gera majoritariamente produtos de baixa complexidade e precisa investir em tecnologia.

Políticas conjuntas

Para Juliano Giassi Goularti, doutor pelo Instituto de Economia da Unicamp, o estado passa por transformações estruturais na matriz econômica e precisa investir em políticas que efetivamente deem retorno. Antes dedicados ao setor industrial, os incentivos fiscais têm sido uma ferramenta amplamente utilizada por governos paulistas, mas é preciso reavaliar sua eficácia e seu retorno.

“A despeito da retomada de alguns setores a partir de 2017, a queda ainda não havia parado em 2019. É preciso chamar a atenção para uma hipótese: mesmo que a política tributária adotada pelo estado de São Paulo tenha adotado um volume razoável de incentivos, que chegam a R$ 58 bilhões em 2022, o estado não foi capaz de impedir a regressão da produção industrial de São Paulo. Não foi capaz de impedir a redução dos ganhos dos setores de indústria, , serviços e agrícola. Esta é uma questão nacional que precisa ser enfrentada”

destacou Goularti.

Professor do Instituto de Economia da Unicamp, Fernando Macedo fez uma análise da queda de participação do estado de São Paulo na economia nacional. Segundo o especialista, o processo é preocupante em períodos de crise, mas pode ser positivo quando há crescimento conjunto.

“E nós queremos uma desconcentração com crescimento de outras regiões”

explicou Macedo.

O pesquisador reforçou a importância de pensar ‘federativamente’ o crescimento e os caminhos para reduzir desigualdades, considerando o diálogo e a construção de políticas com outros estados.

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Especializado em política econômica e desenvolvimento regional, Macedo explicou que é preciso acompanhar de perto as mudanças da indústria.

“A região metropolitana de São Paulo chegou a representar 44% de toda a [nos anos 1970]. Hoje concentra 30% do setor paulista. Então precisamos verificar o que acontece de forma espacial”

destacou.

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