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IPOs brasileiros em queda: como lidar com a incerteza?

A desaceleração das ofertas públicas iniciais de brasileiras () neste ano já era esperada. No entanto, o que ocorreu superou as piores expectativas: nenhuma abriu capital na até meados de junho. No ano passado, e não é demais lembrar, quando a pandemia ainda era assustadora, a movimentação de companhias que abriram seus capitais beirou os US$ 7 bi.

Para quem não está tão familiarizado com o termo, IPO (), que traduzido para o portugês significa Oferta Pública Inicial, é o processo por meio do qual uma empresa oferece ações para o pela primeira vez. Ou seja, é a distribuição inicial de ações em uma bolsa de valores que permite aos adquirirem parte de uma companhia, isso ocorre quando, normalmente, as companhias estão prevendo crescimento e precisam de capital para financiá-lo.

Em 2021, a quantidade de se deu basicamente pela visão otimista do mercado de que a situação da pandemia seria amenizada e consequentemente a retomaria um viés de crescimento. Este otimismo leva o mercado a estar disposto a ir às compras de ações e a pagar “o preço” para não perder uma oportunidade, já que o investidorvislumbra um cenário futuro favorável.

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À medida em que os parâmetros mudam devido ao crescimento das taxas de juros em nível mundial, em função de elevada inflação, especialmente nos Estados Unidos, e também surge uma guerra, os investidores começam a duvidar daquele cenário futuro bonito e começam a ficar mais avessos ao risco, pensando duas vezes se vão pagar “aquele preço” pelas ações.

Somado a tudo isso, nós estamos em ano eleitoral no Brasil e o mercado adota um comportamento receoso e especulativo, com menor liquidez e menos ávidos por compras baseadas em fundamentos. Essa atitude faz com que quem quer abrir capital não perceba nos investidores apetite para pagar um bom preço pelas ações e os valuations ficam prejudicados.

Diante desse cenário, é necessário a volta do otimismo ao mercado, que se mostrará na valorização do Ibovespa, para que as empresas voltem a estar dispostas a abrir seu capital. Alguns falam em uma possível recuperação no segundo semestre do ano, mas pessoalmente, duvido um pouco. Eu acredito que será um período nervoso, onde ainda vamos notar o impacto da subida dos juros na economia real.

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O mercado apenas se tornará mais favorável aos IPOs caso venha a ter uma visão mais clara do cenário político futuro, contando também com uma estabilização de preços pressionados pelas quebras das cadeias produtivas em função da guerra e da alta de juros.

Como isso se relaciona aos OKRs? Os OKRs – Objectives and Keys Results – Objetivos e Resultados Chaves -, são uma excelente ferramenta de gestão para navegar em momentos de incerteza. Trata-se de executar a visão de médio e longo prazo da organização hoje.

Esta é a verdadeira beleza do OKR: metas concretas no curto prazo e capacidade de adaptação ao longo dos ciclos, para que o plano se ajuste ao vento que estiver soprando naquele momento. Dessa forma, todos estarão alinhados em torno do que é prioritário dado o contexto externo e as necessidades internas.

Por Pedro Signorelli quee tem 20 anos de experiência no mercado corporativo e tornou-se especialista na implementação do método OKR.

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