Ganhando espaço

Dinheiro está migrando: por que os ETFs de renda fixa viraram febre no Brasil

Mudança tributária, juros altos e assessores explicam a explosão recente, mas ainda existem travas.

o que e etf
o que e etf
  • Patrimônio da indústria quase dobrou em um ano
  • Mudança tributária dos fundos exclusivos acelerou a migração
  • Juros altos ainda competem com o crescimento dos ETFs

Os ETFs de renda fixa começaram a ganhar espaço rapidamente no mercado brasileiro. O patrimônio da indústria quase dobrou, saltando de R$ 46,4 bilhões em 2024 para R$ 90,2 bilhões em janeiro de 2026, segundo dados da Anbima.

Mesmo assim, a participação ainda é pequena. Os fundos de índice representam menos de 1% da indústria de fundos no Brasil, bem distante dos cerca de 35% observados nos Estados Unidos.

O que provocou o boom

O principal gatilho foi tributário. A mudança nas regras dos fundos exclusivos, que passaram a sofrer come-cotas, fez grandes investidores buscarem alternativas sem antecipação de imposto.

Nesse contexto, os ETFs surgiram como solução. Eles permitem manter exposição a títulos públicos e crédito com eficiência fiscal e liquidez diária, algo raro fora do Tesouro Direto.

Além disso, a expansão dos assessores e consultores ajudou. Com remuneração baseada em taxa fixa, aumentou o incentivo para recomendar produtos simples, transparentes e baratos.

Por que a renda fixa puxou primeiro

Historicamente, ETFs no Brasil eram quase só de ações. Porém, os juros elevados mudaram tudo.

Com inflação e taxas reais altas, cresceram produtos atrelados ao IPCA e aos juros. O investidor passou a querer previsibilidade, não apenas bolsa.

Outro fator foi a diversificação. Agora já existem ETFs ligados a títulos públicos, inflação e até crédito privado, permitindo montar carteiras inteiras sem escolher papéis individualmente.

As barreiras ainda existem

O maior obstáculo é o próprio Brasil. Com Tesouro IPCA+ pagando perto de 7% real, muitos investidores preferem comprar o título diretamente.

Também há problemas operacionais. ETFs de renda fixa ainda aparecem no informe de imposto como renda variável, o que confunde investidores iniciantes.

Por fim, falta cultura. O brasileiro ainda associa fundo à gestão ativa, enquanto ETF replica índices e exige outra mentalidade de investimento.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.