
- Perda de liderança em margem e custos altos de SG&A pressionam as projeções.
- LREN3 cai 3,85% após 3T25 fraco e rebaixamento de recomendação pelo JPMorgan.
- Desaceleração nas vendas e Ebitda abaixo do esperado preocupam analistas.
A Lojas Renner (LREN3) viu suas ações despencarem 3,85%, a R$ 14, após divulgar resultados decepcionantes no 3º trimestre de 2025 (3T25). O desempenho fraco levou o JPMorgan a rebaixar a recomendação de compra para neutra, acendendo o alerta entre investidores.
Entre julho e setembro, a varejista apresentou desaceleração nas vendas e aumento nas despesas, o que derrubou o Ebitda ajustado e comprometeu as margens. O mercado reagiu de imediato, levando os papéis a entrarem em leilão pouco após a abertura.
Desaceleração preocupa analistas
O Bradesco BBI destacou que o crescimento nas mesmas lojas (SSS) subiu apenas 3,1% em base anual, abaixo da expectativa do mercado, entre 4% e 5%. A divisão de vestuário, que havia crescido 20% no 2T25, avançou apenas 4,7% no trimestre, enquanto a produtividade (vendas/m²) caiu de 18,1% para 3,3%.
Segundo o banco, o clima mais frio e a maior exposição da empresa ao Sul prejudicaram a transição de coleção. Já a XP Investimentos reforçou que o desempenho abaixo do esperado levanta dúvidas sobre a capacidade de crescimento da LREN3, sobretudo diante da melhoria contínua da C&A (CEAB3) e da Guararapes (GUAR3).
A Renner também perdeu a liderança em margem bruta no setor, ultrapassada pela Guararapes. Além disso, a estrutura pesada de SG&A continua a limitar a flexibilidade operacional da companhia.
Margem bruta segura, mas Ebitda decepciona
Apesar do desempenho fraco, o Bradesco BBI ressaltou um leve avanço de 0,4 ponto percentual na margem bruta, reflexo de melhor execução de moda e redução de estoques antigos. No entanto, a menor diluição das despesas levou a um Ebitda ajustado 5,4% abaixo das projeções.
A divisão Realize foi o ponto positivo do trimestre, com queda de 1,3 pp na inadimplência (NPLs) e geração de R$ 450 milhões em caixa. Mesmo assim, o desempenho geral não foi suficiente para sustentar o otimismo.
A XP avalia que, embora as ações estejam sendo negociadas com desconto frente aos pares, a reação negativa é natural diante de lucros revisados para baixo e menor confiança na retomada da receita.
JPMorgan corta recomendação e alerta para incerteza
O JPMorgan rebaixou a recomendação de LREN3 de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 19 para R$ 17. O banco americano apontou que os resultados da Renner se tornaram erráticos, com crescimento abaixo dos concorrentes como C&A e Riachuelo (Guararapes).
De acordo com o relatório, a empresa ainda ostenta alta eficiência operacional e infraestrutura de ponta, mas enfrenta problemas de execução e queda na qualidade dos produtos. O ticket médio também segue atrás dos pares, o que reforça o diagnóstico de enfraquecimento estrutural.
Com menor confiança em uma recuperação rápida e ajustes de lucro por ação 3% abaixo das estimativas anteriores, o JPMorgan adota postura mais cautelosa e vê limitações no crescimento da Renner em 2026.