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- Brasil registrou saldo negativo de US$ 8,655 bilhões em fevereiro
- A entrada de investimentos foi menor do que o esperado, totalizando US$ 6,501 bilhões
- O déficit na conta de serviços e na renda primária impacta negativamente o resultado
O Brasil registrou um déficit em transações correntes superior ao esperado em fevereiro de 2025, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (27).
O saldo negativo foi de US$ 8,655 bilhões, maior que a expectativa do mercado, que previa um déficit de US$ 8,3 bilhões.
Em comparação com o déficit de US$ 4,407 bilhões registrado no mesmo mês de 2024, o resultado reflete um agravamento nas contas externas do país.
Déficit em transações correntes
Em fevereiro, o déficit em transações correntes acumulado totalizou US$ 8,655 bilhões, representando um aumento em relação aos US$ 4,407 bilhões observados no mesmo mês do ano passado.
Este saldo negativo reflete, portanto, o impacto das importações, o que implica um desajuste no comércio exterior. Ainda, combinado ao resultado ruim das contas de serviços e da renda primária.
Em termos de PIB, o déficit acumulado nos últimos 12 meses foi de 3,02%, um indicador preocupante para a economia brasileira, que segue pressionada pela dependência de financiamentos externos para cobrir sua conta externa.
Investimentos diretos
Apesar de uma leve recuperação nos investimentos diretos, o valor registrado em fevereiro foi de US$ 6,501 bilhões. No entanto, um pouco abaixo da expectativa de US$ 6,55 bilhões.
Em relação ao ano passado, os investimentos diretos caíram consideravelmente, já que no mesmo período de 2024, o Brasil recebeu US$ 9,080 bilhões.
Esse desempenho reflete uma dúvida crescente entre investidores estrangeiros, especialmente em um cenário de incertezas fiscais e políticas internas, o que tem dificultado o fluxo de capital externo no país.
Contas externas e desafios
O desempenho das contas externas continua a ser um dos maiores desafios para a economia brasileira. A conta de serviços, que inclui viagens e transportes, registrou um rombo de US$ 4,552 bilhões em janeiro, maior que o déficit de US$ 3,531 bilhões no mesmo período de 2024.
Já a conta de renda primária, que engloba pagamentos de juros e lucros ao exterior, apresentou um déficit de US$ 5,613 bilhões em fevereiro, uma melhoria em relação ao rombo de US$ 6,697 bilhões registrado em janeiro de 2024, mas ainda assim um número expressivo.
Em janeiro, a balança comercial do Brasil registrou um superávit de US$ 1,223 bilhão, embora esse valor tenha sido bem abaixo do superávit de US$ 5,563 bilhões observado em janeiro de 2024.
O agravamento do déficit em serviços e rendas tem sido um fator importante para o aumento do desequilíbrio nas transações correntes do Brasil.