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Bolsa agora permite apostas com taxa Selic
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Selic a 2 dígitos e eleições: 2022 é o ano de fugir da bolsa?

Estamos entrando na reta final de 2021, mas já é o momento de começar a planejar nossos para 2022. No entanto, as expectativas para o próximo ano não me parecem nada boas, especialmente para nós investidores.

De volta aos dois dígitos: o que esperar da ?

Primeiramente, a preocupação que já começa a afetar o imaginário dos economistas e investidores são as expectativas de alta da Selic.

A taxa básica de juros é a principal ferramenta de controle da brasileira e geralmente dita os níveis de inflação e de investimento em uma economia.

Recentemente, vivemos os anos das “vacas gordas” na . Inclusive, isso fica bem claro com a explosão recente de investidores (pessoas físicas) na bolsa. Afinal, com a Selic batendo 2% há um ano, em dezembro passado, os investimentos sem risco (renda fixa) deixaram de ser atrativos.

O movimento foi necessário, uma Selic baixa reduz o custo de capital. Ou seja, é mais barato para as empresas tomarem empréstimos e investirem. E isso, em um cenário de crise como o da pandemia, não representa uma estratégia ruim.

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No entanto, já estamos colhendo os “frutos” dessa medida expansionista. A inflação está disparando, graças a um aumento pouco saudável do consumo, e vai corroendo o poder de compra, e a qualidade de vida da população.

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Fonte: Banco Central.

Para corrigir isso e manter a inflação “na linha”, a última reunião do aumentou a taxa Selic em 1,5%, e sinalizou outro aumento já na primeira reunião de 2022. Ou seja, estamos de volta aos dois dígitos pela primeira vez desde 2015.

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Fonte: Banco Central.

: o risco país dispara

Além disso, outro ponto que não podemos esquecer é que em 2022 teremos mais um ano eleitoral. As eleições representam para os investidores um grande ponto de incerteza. Não sabemos quem virá ao poder nos próximos 4 anos e assim não podemos esboçar e perspectivas de longo prazo. Esse movimento também é extremamente prejudicial para o risco país, que representa os riscos de nações com mais incertezas econômicas e políticas. Resumidamente, o risco país é calculado em cima da possibilidade de determinado país, quebrar e dar o famoso “calote” em seus investidores. Quanto maior a chance do calote, maior o risco do país.

Afinal, pense que você é um grande europeu e quer empreender em uma nova nação. Países em que as chances de seu investimento não se concretizar (ou render menos que o esperado) serão evitados não é mesmo?

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Colocando em palavras, imagine a seguinte situação. Você é presidente de uma multinacional e pode empreender nos Estados Unidos, a uma taxa de juros baixa, devido ao baixo risco do país, ou em algum país sub-desenvolvido, como os do Continente Africano.

As chances de seu empreendimento ser bem-sucedido nos Estados Unidos são infinitamente superiores, logo você deve optar pela terra do Tio Sam. Ou então, apostar no País subdesenvolvido, com a possibilidade de ter um lucro maior. Essa exigência de retorno maior, é um dos movimentos que implicam as taxas básicas de juros das nações.

Assim, esse movimento deve causar uma fuga de capital estrangeiro do Brasil no ano que vem, e isso é histórico em anos eleitorais. Sem capital estrangeiro, espere um mais alto em 2022 aqui na terra do samba.

O que esperar do mercado em 2022?

A alta dos juros não é uma boa notícia para o mercado em geral. Afinal, conforme dito, altas taxas deixam o capital mais oneroso. As empresas seguram mais seus investimentos e, por consequência, não devem apresentar grandes disparadas operacionais. Já pelo lado dos investidores, uma taxa de juros alta traz um brilho para a renda fixa, e muitos investidores mais conservadores devem voltar para os confiáveis títulos do tesouro em breve.

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Todo este movimento deve prejudicar o em 2022, que vai encontrar grandes resistências. 2022, talvez seja o ano de ficar longe da bolsa.

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