Guia do Investidor
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Colunistas

Sobrevivendo aos furacões que atingem o mercado

As últimas semanas foram movimentadas pela queda de valor nos mercados públicos das empresas de alto , em especial as de tecnologia da informação, e sobre os impactos desta queda na cadeia de financiamento destas empresas, desde as maiores até startups. Não faltaram recomendando às suas investidas o foco em rentabilidade e geração de caixa e a execução por diversas das empresas Unicórnio (aquelas com valuation acima de US$ 1 Bi) de programas de dispensa de funcionários para buscar equilíbrio operacional.

O movimento deve trazer para os mercados uma racionalidade necessária e saudável, corrigindo algumas distorções ocorridas nos últimos anos. Muitas destas distorções foram causadas pelo que chamamos internamente de 03 Excessos: (I) Excesso de , (II) Excesso de Confiança e (III) Excesso de Arrogância.

Excesso de Dinheiro “de graça” dos últimos anos no mundo fez com que diversos passassem a buscar de maior retorno, muitas vezes sem ponderar o risco inerente a estes prêmios. cada vez mais capitalizados passaram então a pagar preços cada vez mais altos sem se preocupar em avaliar o real valor do ativo, inflacionando artificialmente os “retornos” de seus veículos e atraindo mais dinheiro para investimento.

O resultado será catastrófico em breve, quando diversos fundos acelerados por Hiper Valorizações passarão a ver seus portfolios com performance decrescente e negativa e diversas destas empresas não conseguirão captar recursos para corrigir planos de negócio que foram criados em épocas de Excesso de Confiança.

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Como exemplo, recentemente o Crunchbase (uma das principais empresas de dados e informações sobre o mercado de VC e PE para empresas de alto crescimento) publicou que mais de 50% do “retorno” dos fundos de VC nos são de ganhos não realizados. E que o impacto no retorno destes veículos ainda será sentido à medida que os relutantes gestores tiverem que remarcar seus ativos negativamente.

Excesso de Confiança, como o nome diz, é a crença que tudo vai dar certo e nada vai dar errado que diversos investidores (e empreendedores) enxergaram no momento de precificar uma transação de investimento. Faltou colocar nos processos de avaliação o Risco de Execução. E, claro, descontar dos valuations e planos criados por empreendedores o risco inerente que cada negócio carrega. Isso ocorreu especialmente em empresas com crescimento explosivo e que passam por diversos ciclos de ajustes para fazer o básico: gerar retorno para seus acionistas.

Defendemos já há muitos anos que sempre que decidimos investir em uma precisamos entender (I) como a empresa ganha dinheiro, (II) onde ela gasta seus recursos e (III) qual o saldo entre eles. Por incrível que pareça, diversos investidores e empreendedores deixaram de se preocupar com estes princípios básicos. E, creio, veremos diversas empresas sofrendo muito para tentar encontrar o básico em seus negócios.

Para nós e nosso portfólio, todo ano é Back to Basics. Não que não possa haver inovação, investimento ou busca por novos modelos de negócios: a ideia é sempre manter em mente que margem de contribuição é essencial para a sobrevivência no , e que é absolutamente essencial se preocupar com o valor do dinheiro do acionista.

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Por fim, o Excesso de Arrogância. Este aqui é a morte para muitas empresas e investidores. No tempo em que Fundos cada vez maiores turbinados por dinheiro de graça buscando retornos superiores puxavam valuations, todos os agentes da cadeia (investidores, empreendedores, assessores e funcionários, entre outros tantos mais) passaram a acreditar que o céu era o limite.

Isso fez surgir diversas empresas incríveis, algumas realmente se tornando negócios viáveis e resilientes de longo prazo, mas o Excesso de Arrogância fez com que o preço pago em muitos destes ativos estivesse completamente descolado de seu real Valor. E este descolamento vai causar ajustes estruturais importantes na indústria de investimento em VC e PE no Brasil e no mundo, criando zumbis ou destruindo valor para os investidores (e empreendedores) de maneira que levaremos alguns anos para recuperar um equilíbrio saudável.

Somos hoje sócios em 24 companhias de tecnologia e software. Todas de alto crescimento. Destas, oito já passaram de R$ 5 milhões mensais de recorrente (uma delas já roda acima de R$ 50 milhões por mês e três, acima de R$ 10 milhões por mês), 18 apresentam crescimento anual em seu MRR (receita recorrente mensal) acima de 50% quando comparamos janeiro 2021 contra janeiro 2022, e 23 têm margem de contribuição acima de 60%. A que não tem é resultado de seu modelo de negócios, mais relacionado a serviços que a SaaS ou produto. Acreditamos na geração de valor de longo prazo e na criação de negócios perenes, independente dos furacões que passam pelos mercados de tempos em tempos.

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Por Maurício Lima, cofundador e CEO da Invest Tech

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