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Recuperacao economica brasileira.
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V de Virada? Há realmente uma recuperação acelerada?

A pandemia do novo nos trouxe não apenas uma sanitária e econômica, mas também novos termos até então não utilizados. Grande parte desses termos derivam do chamado – de forma amigável – “economês”, falado por economistas e financistas. Por exemplo, a frequentemente mencionada “recuperação em V”.

Na última quarta-feira, 5, o Ministro da usou novamente o termo para representar a brasileira. De acordo com o ministro, nossa economia estaria “se recuperando no V da Nike”. Dessa forma, o intuito foi mostrar a rápida aceleração da , indo de encontro à crise provocada pela pandemia.

Mas afinal, o que é a “recuperação em V”?

O termo é uma comparação de um padrão gráfico às letras do alfabeto, e servem para exemplificar o movimento de forma mais intuitiva. Assim sendo, descreve o “caminho” de algum indicador ao longo do tempo, nesse caso, o de nossa economia.

Entretanto, há discordâncias no debate sobre “qual seria a letra que define nossa retomada econômica”. Além disso, vale destacar que uma recuperação em “V de Nike”, como Guedes definiu, não é o mesmo que uma em “V normal”.

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Isso pode soar estranho, mas faremos entender.

Rec
Fonte: Brookings

Por meio das imagens acima, que exemplificam o movimento da economia brasileira, nota-se claramente a diferença de ambas situações. Na primeira, afirmada recentemente por Paulo Guedes, é uma recuperação mais lenta e mais orgânica.

Todavia, mais do que teorizar sobre o movimento gráfico econômico, é necessário analisar os dados que possuímos. Dessa forma, podemos, de fato, ter uma noção de onde estamos.

O que os dados nos mostram?

Que a pandemia do novo coronavírus trouxe problemas a todos não é novidade. Ainda em agosto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que o acontecimento levaria a economia mundial para uma nova recessão. De acordo com muitos economistas, o choque da pandemia chega a ser maior que a crise financeira de 2008.

Além disso, trouxe dias sangrentos para as bolsas de valores de muitos , principalmente para a nossa. Em oito pregões da de São Paulo, houve incríveis seis circuit breaker. Entretanto, logo depois, em um movimento igualmente inesperado, nossa bolsa se recuperou rapidamente, passando, inclusive, dos 100 mil pontos em alguns pregões.

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De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), o volume de vendas do comércio varejista teve a maior alta da série histórica – 3,4% de julho para agosto. Dessa forma, registrou-se a quarta alta consecutiva do indicador no ano. Além disso, o comércio varejista também registrou uma alta forte, de 5,6% na média móvel trimestral. Entretanto, ainda acumula queda de 0,9% nesse ano.

Já o crescimento da atividade manufatureira do Brasil chegou a um novo recorde no mês de setembro. De acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), a crescimento bateu 64,9. Assim sendo, alcançando o nível mais alto desde o começo da série histórica, em fevereiro de 2006. Dessa forma, o setor finaliza o terceiro trimestre de 2020 se recuperando frente à pandemia do novo coronavírus.

A recuperação mais rápida entre emergentes

Mesmo com o grande problema ainda em crescimento da pandemia e dos desdobramentos ruins no cenário político – estamos acostumados, não é? – o Brasil segue sendo o país emergente que mais se recupera da grande crise.

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De acordo com a agência de rating S&P Global, o brasileiro para 2020 é estimado em -5,8%. Dessa forma, foi uma das poucas previsões de países emergentes feita pela S&P com reajuste positivo. Além disso, destacou o PMI industrial brasileiro como um dos mais fortes entre todos os emergentes, nessa última quarta-feira, 7. Atribuiu uma perspectiva estável para nossa economia, com rating de BB-. Entretanto, afirmou que continuará de olho nos debates sobre à manutenção do teto de gastos e que espera um aumento em nossa dívida pública.

Por fim, dito tudo isso, é óbvio nossa recuperação e superioridade na mesma em relação a outros países emergentes é visível. E que realmente caminhamos em uma espécie de “V da Nike”. Todavia, ainda há uma boa caminhada até chegarmos ao nível anterior.

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