Recomendação neutra

Tupy (TUPY3) derrete 45% no ano e XP corta preço-alvo: entenda por que o pior ainda pode vir

Mesmo com forte desvalorização em 2025, analistas da XP acreditam que a fabricante ainda enfrenta desafios operacionais e margens sob pressão.

Tupy (TUPY3) derrete 45% no ano e XP corta preço-alvo: entenda por que o pior ainda pode vir
  • XP corta preço-alvo da Tupy (TUPY3) de R$ 20 para R$ 15, mantendo recomendação neutra.
  • Demanda fraca por caminhões e veículos comerciais limita retomada no curto prazo.
  • Alavancagem crescente e margens pressionadas reduzem o potencial de valorização em 2025.

A Tupy (TUPY3) acumula uma queda de 45% em 2025, mas, para a XP Investimentos, isso não torna o papel uma pechincha. A corretora reduziu o preço-alvo da ação de R$ 20 para R$ 15, mantendo recomendação neutra, citando a falta de gatilhos de curto prazo.

A XP avalia que o cenário global para veículos comerciais segue enfraquecido e que as revisões negativas nas estimativas de lucro devem limitar uma reprecificação da ação, mesmo com perspectivas de melhora a partir de 2026.

Demanda fraca trava recuperação

A XP destacou que a demanda por caminhões e veículos comerciais no Brasil e nos Estados Unidos permanece aquém do esperado. O setor ainda sente os efeitos da desaceleração da construção civil e da queda nos fretes, o que reduz o ritmo de produção das montadoras.

No mercado brasileiro, os juros elevados seguem restringindo o crédito e o investimento, afetando diretamente as vendas. Apesar disso, a corretora ressalta que a controlada MWM apresenta desempenho mais estável, beneficiada por novas relações comerciais com os EUA e a possibilidade de redução tarifária no médio prazo.

Mesmo assim, a XP vê pouca chance de recuperação significativa neste ano, avaliando que a empresa ainda precisa ajustar volumes e custos para voltar a crescer com força.

Alavancagem preocupa analistas

Embora a Tupy avance em um plano de corte de custos e reestruturação produtiva, a XP demonstra cautela com a alavancagem crescente. A estimativa é que a dívida líquida/EBITDA suba para 3,1 vezes até o fim de 2025, acima dos 2,5x do segundo trimestre e 1,8x de 2024.

Esses números reforçam um cenário operacional mais difícil, com margens comprimidas e menos espaço para novos investimentos. Mesmo reconhecendo a eficiência das medidas adotadas, os analistas alertam que o impacto positivo deve aparecer apenas a partir de 2026.

O relatório destaca a necessidade de melhorar o uso das fábricas. Esse fator é essencial para sustentar margens mais altas e reduzir pressões financeiras nos próximos trimestres.

Projeções mais conservadoras

Com as revisões, a XP agora projeta prejuízo líquido de R$ 15 milhões em 2025 e lucro de R$ 175 milhões em 2026, números abaixo das estimativas anteriores.

A corretora reduziu também as previsões de margem EBITDA em até 4 pontos percentuais, refletindo a menor alavancagem operacional e volumes mais baixos. Além disso, espera queda de 9% na receita líquida para o próximo ano, impactada por uma taxa de câmbio menos favorável.

Por fim, a XP reconhece o potencial de recuperação no longo prazo. Mesmo assim, considera que o risco-retorno atual não compensa novas posições e prefere aguardar um ponto de inflexão.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.