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Semana começa tensa: inflação, emprego, PIB dos EUA e alerta do BC dominam o mercado

Investidores iniciam a última semana de novembro com indicadores decisivos no Brasil e no exterior.

setor economia
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  • PIB dos EUA e feriado de Ação de Graças devem reduzir a liquidez global e ampliar atenção sobre o PCE.
  • IPCA-15 e mercado de trabalho dominam a agenda, com estimativas de desaceleração inflacionária.
  • Dados fiscais e contas externas reforçam expectativas sobre o risco país e os juros futuros.

A agenda econômica da semana promete forte volatilidade, já que indicadores de inflação, emprego, arrecadação e contas externas devem redesenhar as expectativas do mercado no fim de novembro. O destaque doméstico fica com a divulgação do IPCA-15, que pode definir o tom das projeções de juros e das próximas revisões do Boletim Focus.

Além disso, o mercado acompanha dados do Caged, da PNAD, do balanço de pagamentos e ainda a ida do presidente do Banco Central ao Senado, evento que pode influenciar o câmbio e os juros futuros. Nos EUA, a prévia do PIB do 3º trimestre e os números de confiança do consumidor fecham uma semana encurtada pelo feriado de Ação de Graças.

Inflação deve desacelerar e IPCA-15 lidera a agenda doméstica

O IPCA-15 de novembro será conhecido na quarta-feira e surge como o principal dado da semana. O Bradesco projeta alta de 0,16%, enquanto o Itaú estima avanço de 0,17%, movimento que reduziria a taxa anual para 4,5%. Tanto os serviços subjacentes quanto os bens industriais devem desacelerar, reforçando a leitura de descompressão inflacionária.

Entre os núcleos, as estimativas apontam para serviços caindo para 4,6% e bens recuando para 1,8%, reflexo de menor pressão de preços administrados. Esses resultados tendem a influenciar as apostas sobre os próximos passos da política monetária, especialmente diante das incertezas fiscais.

Outro dado relevante será o IGP-M, divulgado na quinta-feira. O Itaú projeta queda de 0,28% em novembro, o que levaria a taxa anual para -0,1%, reforçando o ambiente de inflação contida nos preços atacadistas.

Emprego ganha foco com Caged e PNAD, enquanto confiança do consumidor será testada

Os dados do mercado de trabalho aparecem como segundo grande eixo da semana. O Caged, na quinta-feira, deve mostrar criação líquida de 57 mil vagas, embora o Itaú projete número mais forte, em torno de 100 mil postos. Mesmo assim, o banco vê sinal de estabilidade no ritmo de contratações ajustadas sazonalmente.

Na sexta-feira, a PNAD Contínua deve apontar taxa de desemprego em 5,6%, pequena alta dessazonalizada. O Itaú, porém, espera leitura em 5,5%, com estabilidade no número ajustado para 5,8%, acompanhada por um avanço de 0,4% nos salários.

Além disso, os índices de confiança do consumidor, da indústria, da construção, do comércio e de serviços serão publicados ao longo da semana. Esses indicadores tendem a mostrar o humor dos setores em um momento de menor tração econômica.

Contas externas, fiscal e política completam a agenda no Brasil

O Banco Central divulga na terça-feira o balanço de pagamentos, com projeção de déficit de US$ 5 bilhões em conta corrente. A balança comercial deve registrar superávit de US$ 6,3 bilhões, enquanto serviços e renda seguirão deficitários. Com isso, o déficit acumulado em 12 meses caiu para US$ 76,6 bilhões, recuando frente ao mês anterior.

As contas fiscais também entram no radar: o Governo Central deve apresentar superávit de R$ 38 bilhões, segundo o Itaú, enquanto o resultado primário consolidado deve ficar em R$ 36 bilhões. Esses dados podem influenciar a percepção de risco e o comportamento da curva de juros.

No campo político, investidores acompanham a indicação de Jorge Messias ao STF, além da ida de Gabriel Galípolo ao Senado para explicar operações cambiais. Propostas de aumento de receita, como novos impostos sobre apostas e fintechs, seguem no radar, mas não devem avançar nesta semana.

PIB dos EUA, Livro Bege e mercado reduzido marcam semana internacional

A semana é mais curta nos Estados Unidos por causa do feriado de Ação de Graças, o que reduz a liquidez global. Mesmo assim, a agenda internacional traz números relevantes, como a prévia do PIB do 3º trimestre, além dos dados de confiança do consumidor e do Conference Board.

Na quarta-feira, o mercado observa ainda o Livro Bege do Fed, os indicadores de renda e gastos pessoais, o deflator do PCE e os pedidos de auxílio-desemprego. Esses dados podem afetar as apostas sobre os próximos movimentos de juros nos EUA.

A expectativa é que o mercado opere com menor volume a partir da tarde de quarta-feira, já que Wall Street fechará por todo o dia na quinta e terá pregão reduzido na sexta.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.