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VALE3: Avanço do minério de ferro faz ações de mineradoras e siderúrgicas disparar

Ações de VALE3, CSNA3, USIM5 e GGBR4 avançam após minério interromper sequência de quedas com expectativa de novos estímulos chineses.

Mina em Gudai-Darri do Grupo Rio Tinto, na região de Pilbara, na Austrália Ocidental (Carla Gottgens/Bloomberg)
Mina em Gudai-Darri do Grupo Rio Tinto, na região de Pilbara, na Austrália Ocidental (Carla Gottgens/Bloomberg)
  • CMRG alerta para especulação, mas mercado mantém otimismo.
  • Mineradoras e siderúrgicas sobem com a recuperação do minério.
  • China reacende expectativas de estímulos, impulsionando preços.

As ações de mineradoras e siderúrgicas subiram nesta quarta-feira (10) e lideraram os ganhos do Ibovespa. O avanço ocorreu após o minério de ferro recuperar força nos mercados asiáticos, impulsionando VALE3, CSNA3, USIM5 e GGBR4 para o campo positivo.

O movimento refletiu o humor renovado na China, já que dados industriais mais fracos reacenderam expectativas de estímulos econômicos, sustentando a percepção de melhora na demanda do setor ao longo de 2026.

Ações de VALE3 e CSNA3 ganham tração com recuperação da commodity

Os papéis de CSN (CSNA3) avançaram 1,99%, enquanto Vale (VALE3) registrou alta de 1,53%. Além disso, Usiminas (USIM5) subiu 1,02% e Gerdau (GGBR4) teve leve ganho de 0,73%. Esse conjunto colocou o setor entre os principais destaques positivos do pregão.

O minério se valorizou após várias sessões negativas, revertendo parte das perdas recentes. De acordo com analistas, a reação rápida indicou que o mercado voltou a precificar possíveis medidas de apoio ao crescimento chinês. Assim, investidores ajustaram posições e ampliaram a demanda por empresas ligadas à cadeia do aço.

A percepção de alívio sustentou o apetite por risco, já que a melhora da commodity costuma ser acompanhada por revisões positivas na expectativa de fluxo de caixa das mineradoras.

Dados fracos reforçam expectativas de estímulo da China

O contrato mais negociado na Bolsa de Dalian subiu 1,85%, encerrando a sessão a 769 iuanes (US$ 108,90). Já o futuro para janeiro em Singapura avançou 0,84%, para US$ 102,65 a tonelada. Ambos os movimentos interromperam a sequência recente de perdas e sinalizaram retomada parcial da confiança.

Dados industriais reforçaram essa leitura. A deflação ao produtor (PPI) recuou 2,2% em novembro, ritmo pior que o esperado, o que acendeu a expectativa de apoio estatal. Com a demanda interna ainda fraca, investidores apostam que Pequim adotará medidas de estímulo no primeiro trimestre de 2026.

Assim, mesmo com o país devendo atingir crescimento próximo de 5% no ano, o mercado entende que uma postura mais ativa do governo poderá sustentar os preços da commodity adiante.

CMRG alerta para descolamento dos fundamentos, mas mercado insiste na melhora

Apesar da alta do minério, o China Mineral Resources Group (CMRG) alertou que os preços se afastaram dos fundamentos. A estatal afirmou que movimentos especulativos amplificaram as oscilações recentes, mantendo o mercado mais volátil do que o usual.

Segundo analistas da entidade, a tendência atual não justificaria uma sequência de ganhos. Eles ressaltaram que o quarto trimestre costuma registrar condições de oferta crescente e demanda enfraquecida, o que limitaria qualquer avanço estrutural da commodity.

Ainda assim, o mercado ignorou parte das advertências, apostando que o potencial pacote chinês poderá alterar o equilíbrio entre produção e consumo já no começo de 2026.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.