
- Justiça nega liminar do Assaí contra o GPA e reacende risco tributário
- BBI mantém compra em ASAI3, enquanto JPMorgan segue underweight
- Bancos veem ruído na tese, mas sem impacto imediato no caixa
O Assaí (ASAI3) voltou ao radar após a Justiça de São Paulo negar integralmente o pedido de liminar pré-arbitral apresentado pela companhia contra o GPA (PCAR3). A decisão reforça riscos ligados ao contencioso tributário, mas não gera impacto financeiro imediato.
Após a divulgação, as ações do Assaí (ASAI3) caíam 2,25%, a R$ 7,81, enquanto o GPA (PCAR3) recuava 3,52%, negociado a R$ 3,84, refletindo aumento de percepção de risco no curto prazo.
O que o Assaí buscava na Justiça
A rede de atacarejo tentava obrigar o GPA a oferecer garantias para cobrir eventuais perdas relacionadas a contingências tributárias do controlador.
Além disso, pedia o bloqueio de recursos em caso de venda da participação de 22,5% do Casino no GPA.
A fatia do Casino é estimada em cerca de R$ 430 milhões. Com a negativa da liminar, a operação não sofre restrições imediatas, embora a decisão ainda caiba recurso.
Visão dos bancos: risco volta ao radar
Para o JPMorgan, a decisão tem viés levemente negativo, mas não representa gatilho relevante para as ações do Assaí. Segundo o banco, o caso reintroduz um risco de cauda, adicionando ruído à tese.
No caso do GPA (PCAR3), o banco vê dois efeitos. Um levemente positivo, pela menor chance de depósitos judiciais no curto prazo. Outro mais sensível, pois a decisão abre caminho para uma eventual venda da participação do Casino.
O JPMorgan manteve recomendação underweight para ASAI3 e PCAR3.
BBI mantém compra, mas reconhece incerteza
O Bradesco BBI avalia que, apesar da ausência de impacto imediato em caixa ou resultados, a negativa reforça a percepção de risco estrutural. O banco destaca que o Assaí segue solidário às contingências do GPA.
Segundo o BBI, mesmo em um cenário extremo, eventuais desembolsos seriam diluídos ao longo de vários anos. Ainda assim, a exposição a passivos relevantes pode pressionar o prêmio de risco da ação.
O banco manteve recomendação de compra para ASAI3, com preço-alvo de R$ 13, sustentado por potencial operacional e valuation atrativo, mas alerta que o tema tributário seguirá exigindo monitoramento contínuo.