
A Argentina encerrou o ano de 2025 com uma inflação anual de 31,5%, o menor índice desde 2017, quando registrou 24,8%. Esse resultado representa uma desaceleração significativa em comparação aos anos anteriores: em 2024, a inflação foi de 117,8%, e em 2023, chegou a 211,4%.
Sob a presidência de Javier Milei, que assumiu em dezembro de 2023, o país implementou reformas econômicas radicais, incluindo cortes drásticos em gastos públicos, desvalorização do peso e remoção de subsídios, o que ajudou a estabilizar a economia, mas não sem custos sociais iniciais.
As políticas de Milei e o controle da inflação
Milei, conhecido por seu estilo libertário e apelidado de “chainsaw” por suas promessas de cortes radicais, implementou um plano de austeridade que incluiu a paralisação de obras federais, redução de repasses para estados e eliminação de subsídios em serviços essenciais como água, gás, luz e transporte.
Essas medidas resultaram em superávits fiscais consecutivos e uma retomada de confiança entre investidores. Em dezembro de 2025, a inflação mensal foi de 2,8%, acima dos 2,5% de novembro, marcando o quarto mês consecutivo de aceleração leve, mas ainda mantendo o índice anual no patamar mais baixo em oito anos.
Analistas preveem que a inflação deve cair ainda mais para cerca de 20% em 2026, o menor valor desde 2013, impulsionada por investimentos, consumo e reformas contínuas. O ministro da Economia, Luis Caputo, celebrou o resultado como uma “realização extraordinária”, destacando que o programa de estabilização – ancorado em superávit fiscal e controle monetário rigoroso – continua a reduzir a inflação apesar de desafios como flutuações cambiais.
Desafios políticos e o apoio dos EUA
O ano de 2025 foi de eleições legislativas de meio de mandato, marcado por crises políticas. Em setembro, Milei sofreu uma derrota nas eleições da província de Buenos Aires devido a um escândalo envolvendo sua irmã, Karina Milei, acusada de corrupção. Isso causou uma desvalorização abrupta do peso, que perdeu quase 40% no ano, encerrando em 1.451,50 por dólar. Apesar disso, Milei obteve uma vitória surpreendente nas eleições nacionais em outubro, o que ajudou a conter a volatilidade.
O apoio internacional foi crucial. Em outubro de 2025, um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com os Estados Unidos, sob Donald Trump, totalizou US$ 40 bilhões em reservas, além de um empréstimo de US$ 20 bilhões do FMI em abril. Esses recursos estabilizaram o câmbio e atraíram investimentos. Analistas preveem crescimento de 3,5% em 2026, com inflação em torno de 20-25%.
Além disso, o crescimento econômico de 5,8% no terceiro trimestre de 2025 e a criação de 200 mil empregos privados sinalizam recuperação da economia do país.
Riscos e metas futuras
Especialistas alertam que a manutenção do Banco Central pode ser um risco futuro, e reformas como a dolarização ainda estão pendentes. Para 2026, o foco é em reduzir a inflação abaixo de 2% mensal e eliminar controles de capitais. Se Milei conseguir, a Argentina pode reverter décadas de instabilidade econômica, causada pelo peronismo, com governos de esquerda.