Risco elevado

Oncoclínicas (ONCO3): saída de Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3) já era esperada e expõe fragilidade

Analistas apontam dívida elevada, governança instável e risco ao acionista como entraves para acordo.

Oncoclínicas (ONCO3): saída de Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3) já era esperada e expõe fragilidade
  • Concorrentes como Rede D’Or (RDOR3) podem se beneficiar
  • Saída de Porto e Fleury já era esperada por risco elevado na ONCO3
  • Endividamento e governança fragilizada travaram acordo

A saída de Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3) das negociações com a Oncoclínicas (ONCO3) não surpreendeu o mercado. Segundo analistas, o cenário já indicava dificuldades relevantes para viabilizar a operação.

Com o fim das tratativas, a companhia volta à estaca zero na busca por capitalização e precisa apresentar uma nova solução para sua estrutura financeira.

Riscos elevados afastaram investidores

Na visão do JP Morgan, o aumento recente dos riscos foi decisivo para o fracasso do acordo. A dissolução do conselho e a indefinição na governança aumentaram a incerteza.

Além disso, o banco destacou que a proposta poderia deixar pouco ou nenhum valor residual para acionistas, o que reduziu o apetite dos investidores.

Esse fator foi crucial, já que havia risco de os acionistas se tornarem sócios de uma estrutura altamente alavancada e com baixa liquidez.

Dívida e passivos pesaram na decisão

O BTG Pactual reforçou que o nível elevado de endividamento e possíveis passivos fora do balanço dificultaram a negociação.

Segundo os analistas, a due diligence revelou desafios relevantes, tornando a relação risco-retorno pouco atrativa para empresas com balanços mais sólidos.

Assim, mesmo com o potencial estratégico, a operação perdeu viabilidade diante do cenário financeiro da companhia.

Alternativas seguem no radar

Com o fim do acordo, a Oncoclínicas passa a avaliar novas propostas, incluindo alternativas de capitalização envolvendo outros investidores.

Entre elas, estão ofertas da MAK Capital e da Starboard, que podem ajudar a resolver a liquidez de curto prazo.

Ainda assim, analistas destacam que essas soluções não eliminam totalmente o problema de alavancagem.

Concorrência pode se beneficiar

Enquanto isso, o cenário favorece concorrentes. A Rede D’Or (RDOR3) já vem capturando maior demanda no segmento de oncologia.

Com o enfraquecimento da Oncoclínicas, a tendência é de continuidade desse movimento, com pacientes migrando para players mais estruturados.

Esse efeito pode acelerar nos próximos meses, reforçando a pressão sobre a companhia.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.