
O preço-alvo de SANB3 e SANB4 para 2026 exige uma leitura um pouco diferente de outras ações da Bolsa. Isso acontece porque a maior parte das casas de análise acompanha o Santander Brasil pela SANB11, a unit do banco.
Na prática, a unit representa a combinação de uma ação ordinária SANB3 e uma ação preferencial SANB4. Por isso, quando XP, BTG, Safra, UBS, Citi ou Goldman Sachs divulgam preço-alvo para Santander Brasil, quase sempre o número aparece em SANB11.
Mesmo assim, é possível usar essas projeções para estimar um valor aproximado para SANB3 e SANB4, respeitando a proporção de mercado entre os dois papéis. Hoje, a leitura mais segura é olhar primeiro para o preço-alvo de SANB11 e, depois, fazer a conversão proporcional para as ações individuais.

Panorama do Santander Brasil
O Santander Brasil é um dos maiores bancos privados do país e faz parte do grupo espanhol Santander, com atuação relevante na Europa e nas Américas. No Brasil, o banco tem uma operação ampla, com presença em varejo, cartões, crédito imobiliário, financiamento ao consumo, empresas, investimentos e serviços financeiros.
O RI da companhia define o Santander como o terceiro maior banco privado do país e o único banco internacional com escala no mercado brasileiro.
Para o investidor que olha SANB3 e SANB4, os principais pontos de análise são rentabilidade, inadimplência, crescimento da carteira de crédito, margem financeira, eficiência operacional e distribuição de proventos. Em bancos, o preço-alvo costuma ser muito sensível a esses fatores, porque pequenas mudanças no ROE, no custo de risco ou no custo de capital podem alterar bastante o valor justo estimado pelos analistas.
No caso do Santander, a grande discussão para 2026 passa pela capacidade de o banco sustentar uma recuperação de rentabilidade. A XP, por exemplo, trabalha com uma visão mais otimista e vê ROE estrutural próximo de 20%, além de dividend yield esperado de 8,6% para o fim de 2026. A casa elevou o preço-alvo de SANB11 para R$ 44,00 por unit ao final de 2026.
Resultados recentes do Santander Brasil
O Santander divulgou os resultados do 1T26 em 29 de abril de 2026. O lucro líquido gerencial foi de R$ 3,788 bilhões, queda de 7,3% frente ao 4T25 e recuo de 1,9% em relação ao 1T25. O ROAE gerencial ficou em 16,0%, abaixo dos 17,6% registrados no trimestre anterior e dos 17,4% do mesmo período de 2025.
A carteira de crédito ampliada encerrou março de 2026 em R$ 705,582 bilhões, com queda de 0,4% no trimestre e alta de 3,4% em 12 meses. As captações de clientes somaram R$ 663,850 bilhões, com queda trimestral de 1,0% e crescimento anual de 1,9%. O índice de Basileia ficou em 15,2%, enquanto o capital principal, CET1, fechou em 11,2%.
Na demonstração de resultado, a margem financeira bruta somou R$ 15,812 bilhões, alta de 3,1% no trimestre e queda de 0,7% na comparação anual. A margem financeira com clientes foi de R$ 16,584 bilhões, com queda trimestral de 1,4% e crescimento anual de 4,8%. As comissões somaram R$ 5,435 bilhões, avanço de 5,8% em 12 meses.
O ponto de maior atenção ficou na qualidade da carteira. O índice de inadimplência acima de 90 dias chegou a 3,3%, avanço de 0,2 ponto percentual no trimestre e de 0,6 ponto percentual em 12 meses. Esse dado ajuda a explicar a postura mais cautelosa de algumas casas, principalmente diante de um cenário ainda pressionado para crédito, famílias endividadas e pequenas empresas.
Cotação de SANB3, SANB4 e SANB11
Na consulta de mercado, SANB3 aparecia negociada perto de R$ 14,43, enquanto SANB4 estava em torno de R$ 14,90. A SANB11, por sua vez, era negociada na faixa de R$ 28,89 a R$ 29,42, conforme diferentes plataformas de cotação no dia.
Essa diferença entre SANB3 e SANB4 é importante para converter o preço-alvo da unit. Considerando a composição da SANB11 e as cotações aproximadas atuais, SANB3 representa algo perto de 49% do valor da unit, enquanto SANB4 representa cerca de 51%. Assim, um preço-alvo de R$ 35,00 para SANB11 poderia equivaler, de forma estimada, a aproximadamente R$ 17,20 para SANB3 e R$ 17,80 para SANB4.
Tabela de preço-alvo SANB3 e SANB4 para 2026
| Fonte / casa | Recomendação | Preço-alvo SANB11 | Estimativa SANB3 | Estimativa SANB4 |
|---|---|---|---|---|
| Consenso RI Santander | Consenso de mercado | Média R$ 33,76 / mediana R$ 35,00 | R$ 16,60 a R$ 17,20 | R$ 17,15 a R$ 17,80 |
| Investing.com | Neutro | R$ 36,59 | R$ 18,00 | R$ 18,60 |
| XP Investimentos | Compra | R$ 44,00 | R$ 21,65 | R$ 22,35 |
| BTG Pactual | Neutra | R$ 35,00 | R$ 17,20 | R$ 17,80 |
| Safra | Neutra | R$ 40,00 | R$ 19,70 | R$ 20,30 |
| Goldman Sachs | Venda | R$ 29,00 | R$ 14,30 | R$ 14,70 |
| UBS | Compra | R$ 43,00 | R$ 21,15 | R$ 21,85 |
| Citi | Manter | R$ 34,00 | R$ 16,75 | R$ 17,25 |
As estimativas para SANB3 e SANB4 são conversões aproximadas a partir dos preços-alvo divulgados para SANB11. O RI do Santander mostra média de R$ 33,76 e mediana de R$ 35,00 para a unit.
O que pode sustentar uma alta de SANB3 e SANB4?
Alguns fatores ajudam a explicar por que parte do mercado ainda vê potencial de valorização para Santander Brasil:
- Recuperação gradual do ROE, principalmente se o banco conseguir voltar para níveis mais próximos de 18% a 20%.
- Crescimento em linhas de crédito mais rentáveis, com foco em clientes de maior renda, empresas e produtos com garantia.
- Controle de despesas, já que o banco mostrou despesas gerais estáveis no trimestre e alta anual abaixo da inflação.
- Dividendos e JCP recorrentes, ponto importante para investidores que buscam bancos pagadores de proventos.
- Valuation mais descontado em relação a pares, argumento usado por casas que ainda veem assimetria positiva no papel.
Principais riscos para o preço-alvo
A cautela de algumas casas também tem fundamentos claros:
- Inadimplência em alta, especialmente em pessoa física de menor renda, PMEs e segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico.
- Pressão no custo de crédito, que pode limitar a expansão do lucro.
- Juros ainda elevados, afetando margem, demanda por crédito e qualidade da carteira.
- ROE abaixo dos melhores pares privados, o que limita múltiplos mais altos.
- Resultados abaixo do esperado, como ocorreu no 1T26, quando o lucro veio pressionado na comparação trimestral e anual.
Vale a pena investir em SANB3 e SANB4 em 2026?
Para quem busca exposição ao Santander Brasil, SANB3 e SANB4 podem fazer sentido dentro de uma estratégia voltada a bancos, dividendos e possível recuperação de rentabilidade. A grande referência, porém, segue sendo a SANB11, porque é nela que a maioria das casas concentra seus preços-alvo e relatórios.
Olhando os números disponíveis, o consenso de mercado sugere um preço-alvo moderado para SANB11, entre R$ 33,76 e R$ 36,59, o que levaria SANB3 e SANB4 para uma faixa aproximada entre R$ 16,60 e R$ 18,60. Casas mais otimistas, como XP e UBS, apontam valores equivalentes acima de R$ 21 por ação individual. Casas mais cautelosas, como Goldman Sachs, enxergam um alvo próximo das cotações atuais.
Assim, a resposta para “vale a pena investir em SANB3 e SANB4 em 2026?” depende do perfil do investidor. Para quem acredita em melhora do ROE, normalização da inadimplência e continuidade dos proventos, o Santander pode ser uma tese interessante de recuperação. Para quem busca bancos com rentabilidade mais alta e menor risco de execução, o papel ainda pede acompanhamento cuidadoso dos próximos balanços.
O mais prudente é acompanhar o RI do Santander, os resultados trimestrais, a evolução da inadimplência e as revisões das casas de análise. Em 2026, SANB3 e SANB4 parecem carregar uma tese de recuperação, mas o mercado ainda cobra provas mais consistentes de crescimento, qualidade de crédito e rentabilidade sustentável.