
- Petrobras (PETR4) negocia a apenas 5,6 vezes lucro.
- Estatal vale muito menos que gigantes como Exxon e Shell.
- Mercado segue atento ao fluxo de caixa e aos dividendos futuros.
A forte queda das ações da Petrobras (PETR3; PETR4) após o balanço do primeiro trimestre reacendeu uma velha discussão do mercado: afinal, a estatal está realmente barata ou o desconto reflete riscos estruturais?
Hoje, a Petrobras negocia a apenas 5,6 vezes lucro (P/L), um dos menores múltiplos entre grandes petroleiras globais. O número fica muito abaixo de gigantes como ExxonMobil, Chevron, Shell e Saudi Aramco, além da média internacional do setor.
Petrobras negocia com desconto gigantesco
Os dados compilados pela Bloomberg e Nord Investimentos mostram o tamanho da diferença.
Enquanto a Petrobras (PETR4) negocia a 5,6x lucro, a média das grandes petroleiras analisadas está em 18,6x.
Confira alguns múltiplos:
- Petrobras (PETR4) — 5,6x
- PetroReconcavo (RECV3) — 6,7x
- Prio (PRIO3) — 19,9x
- Shell — 13,2x
- TotalEnergies — 13,4x
- Saudi Aramco — 18,1x
- ExxonMobil — 25,7x
- Chevron — 33,4x
Mesmo assim, especialistas alertam que múltiplos baixos isoladamente não significam automaticamente que a ação esteja barata.
Mercado segue preocupado com governo e dividendos
Segundo analistas, parte desse desconto histórico acontece por causa do controle estatal e do histórico de interferências políticas na companhia.
Além disso, investidores acompanham com atenção a queda recente do fluxo de caixa livre da Petrobras.
No primeiro trimestre, o indicador caiu 22,9%, para R$ 20,1 bilhões, pressionado pelo aumento dos investimentos e maiores despesas operacionais.
Esse ponto preocupa porque impacta diretamente a capacidade futura de pagamento de dividendos.
Petróleo mais caro pode ajudar próximos resultados
Por outro lado, parte do mercado vê melhora operacional relevante na companhia. Analistas apontam que a alta recente do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio ainda não apareceu totalmente nos números do primeiro trimestre.
Além disso, a Petrobras registrou crescimento da produção e desempenho forte no refino. A expectativa agora é de um segundo trimestre potencialmente mais robusto, impulsionado pelo Brent acima de US$ 100 e pela produção recorde da estatal.
Ainda assim, especialistas seguem divididos sobre o potencial estrutural da empresa no longo prazo.