
A Taesa, negociada na B3 pelos códigos TAEE3, TAEE4 e TAEE11, segue entre as ações mais acompanhadas por investidores que buscam dividendos no setor elétrico. Para 2026, porém, o preço-alvo das ações mostra um cenário mais dividido: algumas casas enxergam pouco espaço para valorização, enquanto outras ainda veem retorno moderado, principalmente quando os dividendos entram na conta.
O ponto mais importante para entender as projeções é que a maior parte dos bancos e corretoras divulga preço-alvo para TAEE11, a unit da companhia. A unit da Taesa é composta por 1 ação ordinária TAEE3 + 2 ações preferenciais TAEE4, por isso o investidor pode usar o alvo de TAEE11 como referência aproximada para calcular um valor equivalente por ação, dividindo o preço da unit por três.

Panorama da Taesa
A Taesa é uma das maiores empresas privadas de transmissão de energia elétrica do Brasil em termos de Receita Anual Permitida, a RAP. A companhia atua exclusivamente na construção, operação e manutenção de ativos de transmissão, com presença em todas as cinco regiões do país. Segundo o RI, a empresa possui 44 concessões de transmissão, mais de 15 mil km de linhas de transmissão e 113 subestações.
Esse modelo de negócio costuma atrair investidores defensivos porque a receita das transmissoras é regulada e mais previsível. Na prática, a empresa recebe pela disponibilidade da infraestrutura, e o desempenho depende menos do consumo direto de energia do que ocorre em companhias de geração ou distribuição.
Essa previsibilidade ajuda a explicar por que a Taesa é muito associada a dividendos. Ao mesmo tempo, a discussão atual sobre preço-alvo envolve três fatores centrais: alavancagem, prazo das concessões e capacidade de crescimento nos próximos anos.
Resultados recentes da Taesa
No resultado de 2025, a Taesa reportou números fortes na visão regulatória. A receita líquida regulatória somou R$ 2,5 bilhões, alta de 7,9% em relação ao ano anterior. O EBITDA regulatório chegou a R$ 2,1 bilhões, avanço de 12,5%, atingindo o maior nível da história da companhia, com margem EBITDA de 83,7%. O lucro líquido regulatório foi de R$ 1,124 bilhão, crescimento de 13,4%.
No 4T25, o lucro líquido regulatório ficou em R$ 313,1 milhões, alta anual de 56,1%. O EBITDA regulatório do trimestre foi de R$ 524,3 milhões, crescimento de 24,4% na comparação com o 4T24.
Pelo critério IFRS, a receita líquida do 4T25 foi de R$ 1,198 bilhão, alta de 10,3% sobre o 4T24. Em 2025, a receita líquida IFRS chegou a R$ 4,624 bilhões, crescimento de 24,4% em relação a 2024.
O destaque negativo fica na alavancagem. A dívida bruta consolidada somou R$ 11,149 bilhões no 4T25, enquanto o caixa ficou em R$ 1,325 bilhão, resultando em dívida líquida de R$ 9,823 bilhões. Considerando a visão proporcional das empresas controladas em conjunto e coligadas, a dívida líquida/EBITDA ficou em 4,1x.
Cotação atual de TAEE3, TAEE4 e TAEE11
Em maio de 2026, a TAEE3 era negociada a R$ 13,50, com fechamento anterior de R$ 13,60 e oscilação diária entre R$ 13,50 e R$ 13,70. A faixa de 52 semanas ia de R$ 10,73 a R$ 15,13.
A TAEE4 aparecia cotada a R$ 14,22, com alta de 1,85% no dia, variação diária entre R$ 13,91 e R$ 14,30 e faixa de 52 semanas entre R$ 10,7899 e R$ 15,49.
Já a TAEE11 era negociada a R$ 42,20, com fechamento anterior de R$ 41,39, oscilação diária entre R$ 41,23 e R$ 42,37 e variação de 52 semanas entre R$ 32,33 e R$ 46,11.
Tabela de preço-alvo TAEE3 e TAEE4 para 2026
Como a maioria das casas divulga preço-alvo para TAEE11, a tabela abaixo mostra o alvo da unit e o valor equivalente aproximado para TAEE3 e TAEE4. A conta usada foi: preço-alvo da TAEE11 ÷ 3.
| Casa / fonte | Recomendação | Preço-alvo TAEE11 2026 | Equivalente TAEE3/TAEE4 | Potencial vs. TAEE3 a R$ 13,50 | Potencial vs. TAEE4 a R$ 14,22 |
|---|---|---|---|---|---|
| XP | Neutra | R$ 32,70 | R$ 10,90 | -19,3% | -23,3% |
| Genial | Venda | R$ 36,00 | R$ 12,00 | -11,1% | -15,6% |
| BTG Pactual | Venda | R$ 37,00 | R$ 12,33 | -8,6% | -13,3% |
| Consenso Investing | Venda | R$ 37,94 | R$ 12,65 | -6,3% | -11,1% |
| Bradesco BBI | Underperform | R$ 38,00 | R$ 12,67 | -6,2% | -10,9% |
| BB-BI | Neutra | R$ 42,60 | R$ 14,20 | +5,2% | -0,1% |
| Safra | Neutra | R$ 43,80 | R$ 14,60 | +8,1% | +2,7% |
| Itaú BBA | Market Perform | R$ 44,90 | R$ 14,97 | +10,9% | +5,3% |
O que joga a favor de TAEE3 e TAEE4
- Receita previsível, apoiada em contratos regulados de transmissão.
- Histórico relevante de pagamento de dividendos e JCP.
- EBITDA regulatório recorde em 2025.
- Margem EBITDA elevada, de 83,7% na visão regulatória.
- Reajustes de RAP pelo IPCA e IGP-M no ciclo 2025-2026.
- Entrada em operação de projetos e reforços, como Pitiguari, Novatrans e TSN.
- Possibilidade de maior geração de caixa após o ciclo de investimentos.
O que pesa contra TAEE3 e TAEE4
- Dívida líquida/EBITDA em 4,1x, nível considerado alto por parte do mercado.
- Potencial de valorização limitado em várias casas de análise.
- Preço atual já reflete parte da qualidade da empresa e dos dividendos esperados.
- Prazo médio das concessões exige atenção no valuation de longo prazo.
- Crescimento orgânico mais moderado em comparação com algumas concorrentes.
- Juros elevados aumentam o custo de capital e pressionam múltiplos.
Vale a pena investir em TAEE3 e TAEE4?
Para quem busca renda com dividendos, Taesa continua sendo uma empresa importante para acompanhar. O negócio é previsível, os resultados recentes vieram fortes e a companhia manteve uma política generosa de distribuição. TAEE3 e TAEE4 podem fazer sentido dentro de uma estratégia focada em fluxo de proventos, desde que o investidor esteja confortável com o setor elétrico e com o nível de endividamento da companhia.
Pelo lado do preço-alvo, o cenário para 2026 está mais cauteloso. A maior parte das projeções indica pouco espaço de alta, principalmente quando se converte o alvo da TAEE11 para um valor aproximado por ação. Considerando as cotações atuais, apenas as casas mais otimistas, como Itaú BBA, Safra e BB-BI, apontam algum potencial positivo para TAEE3 ou TAEE4.
A conclusão é que TAEE3 e TAEE4 parecem mais interessantes para quem prioriza dividendos do que para quem busca grande valorização de curto prazo. Para novos aportes, vale comparar o preço atual com o dividend yield esperado, acompanhar a evolução da dívida e observar os próximos resultados trimestrais.