
- A empresa sofreu forte desvalorização devido à sua dependência da produção na China, diretamente afetada pela nova política tarifária.
- As chamadas “Sete Magníficas” enfrentaram uma onda de vendas provocada por incertezas nos custos e no fornecimento de insumos.
- Especialistas temem efeitos negativos na inflação, no consumo e nas cadeias globais de produção, apesar da defesa feita por Trump.
As ações da Apple caíram 9,1% nesta quinta-feira (3), após o governo dos Estados Unidos anunciar novas tarifas sobre produtos importados da China. A medida, definida pelo presidente Donald Trump, gerou perdas expressivas para o setor de tecnologia. Ao todo, as chamadas “Sete Magníficas” perderam mais de US$ 640 bilhões em valor de mercado. Investidores reagiram com preocupação, principalmente pelo peso que a Apple representa na cadeia global de produção. Analistas enxergam riscos de aumento de custos e redução nas margens de lucro.
Apple lidera queda entre gigantes da tecnologia
A Apple sofreu a maior baixa entre as grandes empresas de tecnologia nesta quinta-feira. A empresa perdeu 9,1% do seu valor de mercado em apenas um dia. O motivo principal foi a nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos vindos da China, Índia e Vietnã.
A maior parte da produção da Apple ainda ocorre em território chinês. Por isso, o impacto foi imediato. Analistas interpretaram que as novas tarifas pressionarão os custos da empresa. Além disso, o mercado teme que a Apple repasse parte desses custos aos consumidores, o que pode afetar a demanda por seus produtos.
Portanto, investidores se anteciparam a uma possível retração nas margens de lucro da companhia e venderam ações em grande volume. Isso fez a Apple liderar as perdas no índice Nasdaq, superando outras gigantes como Amazon, Meta e Nvidia.
“Sete Magníficas” perdem mais de US$ 640 bilhões
Além da Apple, outras empresas do setor de tecnologia também sofreram quedas significativas. A Amazon recuou 8,9%, enquanto a Meta (dona de Facebook e Instagram) perdeu 7,8%. A Nvidia caiu 7%, a Tesla 6,5%, e a Alphabet (controladora do Google) encerrou o dia com baixa de 3,7%.
Mesmo a Microsoft, que costuma ser mais resiliente, registrou uma queda de 2,3%. Embora os analistas apontem diferenças entre os modelos de negócios, o impacto geral das tarifas prejudicou o sentimento do mercado em relação ao setor como um todo.
Trump defende medida, mas economistas alertam
O presidente Donald Trump afirmou que as novas tarifas visam fortalecer a economia americana. Segundo ele, as medidas protegem a indústria local e corrigem distorções nas relações comerciais com países asiáticos. Trump admitiu que pode haver algum custo no curto prazo, mas disse acreditar que o retorno no longo prazo compensará.
Entretanto, economistas demonstram ceticismo. Muitos apontam que tarifas elevadas tendem a gerar inflação e desacelerar o crescimento global. Além disso, destacam que empresas fortemente dependentes de importações, como as big techs, podem reduzir investimentos e realocar operações, o que pode prejudicar a competitividade dos Estados Unidos.
A Business Roundtable e a National Retail Federation também criticaram a decisão. Ambas as entidades defenderam que o protecionismo excessivo pode gerar distorções no comércio global e prejudicar consumidores.
Ao somar as perdas das sete maiores empresas de tecnologia, o mercado contabilizou uma redução de US$ 643 bilhões em valor de mercado. Esse volume impressiona e sinaliza que o impacto das tarifas pode ir além dos custos de produção, afetando também expectativas futuras de crescimento.
Investidores reavaliam riscos de produção concentrada
Além da volatilidade no mercado de ações, o episódio reacendeu o debate sobre a dependência da indústria americana da produção asiática. A Apple, por exemplo, mantém suas principais linhas de montagem na China. Esse modelo, embora eficiente, se mostrou vulnerável a choques geopolíticos.
Assim, analistas indicam que empresas como Apple e Amazon devem revisar suas cadeias de suprimento nos próximos anos. A expectativa é que parte da produção migre para países considerados geopoliticamente mais estáveis. No entanto, essa transição exige tempo e investimento elevado.
Portanto, o impacto das tarifas de Trump pode não se limitar ao mercado financeiro. Ele também pressiona empresas a acelerarem decisões estratégicas, que até agora estavam em segundo plano.