
- Ambipar (AMBP3) tem recuperação judicial deferida no Rio de Janeiro e ações sobem mais de 12%.
- Decisão confirma competência fluminense e suspende cobranças por 180 dias.
- Dívida total chega a R$ 10,7 bilhões, e grupo inicia reorganização conjunta de mais de 60 empresas.
A Ambipar (AMBP3) teve o pedido de recuperação judicial deferido nesta quinta-feira (30) pela 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, consolidando o processo no estado fluminense. A decisão ocorre após disputa com credores que defendiam a tramitação em São Paulo.
Com o anúncio, as ações da empresa dispararam mais de 12%, sendo negociadas a R$ 0,37 na B3. O deferimento inicia o stay period de 180 dias. Nesse período, execuções e cobranças ficam suspensas, permitindo à companhia negociar dívidas e apresentar o plano de reestruturação.
Justiça confirma competência do Rio de Janeiro
O juiz Leonardo de Castro Gomes seguiu o entendimento do desembargador Mauro Pereira Martins, do TJ-RJ, e manteve o Rio de Janeiro como foro competente para julgar o caso. Segundo a decisão, a Ambipar comprovou que concentra suas operações e gestão financeira na capital fluminense.
Os credores haviam acusado o grupo de “forum shopping”, alegando tentativa de manipular a jurisdição. No entanto, o magistrado destacou que os documentos societários e financeiros apresentados foram suficientes para validar o foro do Rio, rejeitando as alegações.
A decisão reforça que o grupo possui estrutura administrativa e financeira unificada, centralizada em uma holding controladora, o que justifica o tratamento consolidado de mais de 60 empresas no mesmo processo.
Dívida bilionária e relevância econômica
De acordo com o processo, o passivo total da Ambipar é estimado em R$ 10,7 bilhões, sendo R$ 7,86 bilhões sujeitos à recuperação judicial no Brasil e o restante no exterior.
A companhia também entrou com pedido de proteção nos Estados Unidos, com base no Chapter 11 do U.S. Bankruptcy Code, buscando preservar ativos e operações internacionais.
O juiz ressaltou a relevância econômica da empresa, que mantém cerca de 23 mil empregos diretos e gera R$ 500 milhões em tributos anuais. Além disso, o grupo afirmou que mantém a folha salarial e obrigações financeiras em dia, evidenciando condições para uma reestruturação viável.
Durante o stay period, a empresa deve apresentar um plano detalhado de equacionamento das dívidas, incluindo etapas, prazos e mecanismos de pagamento aos credores.
Ações reagem com alta e clima de alívio
O mercado reagiu com forte alta nas ações AMBP3, refletindo o alívio dos investidores diante da definição judicial. Assim, a decisão encerra semanas de incertezas sobre o foro do processo e abre caminho para uma negociação mais organizada com credores.
Ademais, analistas afirmam que o deferimento traz previsibilidade e segurança jurídica ao grupo. No entanto, alertam que o desafio será recompor o balanço e garantir liquidez no médio prazo.
Por fim, mesmo com a recuperação aprovada, o cenário segue delicado. A execução eficiente do plano será decisiva para a empresa recuperar credibilidade no mercado e entre investidores.