Assimetria negativa

Banco do Brasil (BBAS3): XP corta preço-alvo e vê mais riscos do que oportunidades nas ações

Corretora reduz projeções de lucro, cita problemas persistentes no agronegócio e alerta para deterioração da carteira de pessoas físicas.

banco do brasil
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  • Banco do Brasil (BBAS3): XP cortou o preço-alvo de R$ 25 para R$ 21.
  • Agronegócio e carteira de pessoas físicas seguem pressionando a qualidade do crédito.
  • Corretora vê potencial limitado de valorização e mantém recomendação neutra.

O Banco do Brasil (BBAS3) teve o preço-alvo das ações reduzido pela XP Investimentos de R$ 25 para R$ 21 ao final de 2026, a recomendação se manteve neutra para o papel. Segundo a corretora, os riscos ligados à qualidade do crédito continuam elevados e limitam o potencial de valorização da ação.

Os analistas afirmam que a tese apresenta uma “assimetria negativa”, já que os desafios no agronegócio e na carteira de pessoas físicas ainda podem pressionar os resultados do banco nos próximos trimestres.

Agronegócio segue no centro das preocupações

A XP avalia que a recuperação financeira dos produtores rurais deve demorar mais do que o esperado. O setor continua enfrentando preços mais baixos das commodities, juros elevados, custos de produção pressionados e valorização do real.

Além disso, a corretora destaca que os pedidos de recuperação judicial no agronegócio voltaram a acelerar, sinalizando que parte dos produtores ainda enfrenta dificuldades financeiras relevantes.

Embora o Banco do Brasil tenha endurecido critérios de concessão de crédito e ampliado garantias nas operações mais recentes, a carteira antiga continua absorvendo os efeitos da crise do setor.

Pessoa física também entra no radar

A preocupação da XP não se limita ao campo. Segundo o relatório, clientes ligados ao agronegócio também apresentam piora na capacidade de pagamento em produtos de pessoa física, como cartões de crédito e cheque especial.

A corretora acredita que parte da inadimplência atual ainda pode migrar para atrasos mais longos ao longo dos próximos trimestres.

Com isso, a expectativa é de que o custo de risco permaneça elevado em 2026 e 2027, exigindo provisões maiores e pressionando a rentabilidade da instituição.

Lucro menor e ação sem gatilhos claros

A XP reduziu sua projeção de lucro líquido para 2026 de R$ 23,3 bilhões para R$ 18,3 bilhões. Já a estimativa de retorno sobre patrimônio (ROE) caiu de 12% para 9,4%.

Apesar de receitas de tesouraria ainda favorecidas pelos juros altos e do controle de despesas considerado eficiente, a corretora avalia que os fundamentos não justificam uma recomendação de compra neste momento.

Segundo a XP, as ações negociam a cerca de 6,3 vezes o lucro projetado para 2026, acima da média histórica próxima de 4,5 vezes, o que reduz a atratividade do papel.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.