
- Lucro pro forma da BradSaúde sobe 56,5% em 2025
- Provisões IBNR caem de R$ 915 mi para R$ 133 mi
- Base de beneficiários mostra sinais de estabilização
A criação da BradSaúde, via incorporação reversa com a Odontoprev (ODPV3), marca uma virada operacional relevante no negócio de saúde do Bradesco (BBDC4). Segundo análise do Itaú BBA, o lucro passou a ser puxado principalmente pela operação, e não mais pelo resultado financeiro.
Após questionamentos de investidores, o banco detalhou os números e destacou melhora estrutural na eficiência, na sinistralidade e no controle de despesas médicas.
Lucro cresce 56,5% com planos respondendo por 80%
Em base pro forma, a BradSaúde registrou alta de 56,5% no lucro líquido em 2025. A operação de planos de saúde respondeu por 80% do resultado, consolidando o peso do core business.
O Itaú aponta que a melhora veio de reajustes acima da inflação média, maior disciplina de custos, controle de fraudes e expansão de planos com coparticipação, o que reduziu despesas médicas.
Além disso, houve redução de provisões e estabilização da base de beneficiários após perda de market share em 2023 e 2024.
Provisões despencam e aliviam resultado
Um dos principais vetores foi a queda nas provisões técnicas, especialmente os IBNR. O impacto caiu de R$ 915 milhões em 2024 (2,6% da receita) para R$ 133 milhões em 2025 (0,3%).
O nível de IBNR ficou em 23,5%, próximo ao da principal concorrente, SulAmérica, que opera em 25,9%. Com isso, o índice contábil se aproximou do indicador em caixa, melhorando a previsibilidade dos resultados.
Para o Itaú, esse movimento reduz volatilidade e fortalece a qualidade do lucro.
Estrutura diversificada reforça geração de resultado
O Itaú considera a Bradesco Gestão de Saúde (BGS) como melhor proxy da nova companhia. Do resultado total, R$ 2,9 bilhões vieram dos planos de saúde.
A ODPV3 contribuiu com R$ 545 milhões, enquanto a fatia de 25% no Fleury (FLRY3) gerou R$ 92 milhões em equivalência patrimonial. Além disso, a Atlântica Hospitais adicionou R$ 26 milhões.
Desse modo, após perder participação em 2023 e 2024, a empresa encerrou 2025 com 7,6% de market share e começou a mostrar sinais de retomada na base de beneficiários.
Liquidez dispara após anúncio
A ODPV3, historicamente de baixa liquidez, negociava cerca de 1,5 milhão de ações por dia.
Além disso, no dia do anúncio da criação da BradSaúde, o papel subiu 14%, com giro de 40 milhões de ações.
Por fim, no pregão seguinte, recuou 6,3%, ainda com volume elevado de 18,5 milhões de ações.