
- Braskem (BRKM5) disparou mais de 40% em dois pregões antes do balanço.
- Upgrade do JPMorgan e melhora dos spreads impulsionaram as ações.
- Mercado ainda monitora dívida elevada e geração de caixa da companhia.
As ações da Braskem (BRKM5) seguem em forte disparada na B3 às vésperas da divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026.
Depois de saltarem 29% na sessão anterior, os papéis chegaram a avançar mais de 12% nesta quarta-feira, acumulando uma valorização explosiva em apenas dois pregões.
JPMorgan impulsionou rally
O principal gatilho da disparada veio após o JPMorgan elevar a recomendação das ações para equivalente à compra e aumentar o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15.
Segundo o banco, a petroquímica começa a entrar em um cenário operacional mais favorável diante da melhora gradual dos fundamentos globais, restrição de oferta e fortalecimento da governança corporativa.
Além disso, analistas avaliam que os impactos logísticos e geopolíticos no Oriente Médio ajudaram a apertar a oferta global de petroquímicos, favorecendo recuperação dos spreads.
Operações mostraram recuperação parcial
Os números operacionais do trimestre mostraram melhora relevante no Brasil e nas operações dos Estados Unidos e Europa.
No mercado brasileiro, a taxa de utilização subiu para 69%, impulsionada principalmente pela normalização do polo da Bahia e pela recuperação das vendas de resinas.
Enquanto isso, nos Estados Unidos e Europa, a utilização avançou para 79%, refletindo retomada da demanda e normalização após paradas operacionais.
Por outro lado, o México segue pressionando os resultados, com forte queda operacional causada pela menor disponibilidade de etano fornecido pela Pemex.
Mercado aposta em melhora dos spreads
O Bank of America destacou que abril apresentou forte recuperação dos spreads petroquímicos globais.
Segundo o banco, os spreads do polietileno chegaram a subir entre 60% e 120% no período, enquanto produtos químicos relevantes para a petroquímica também mostraram recuperação expressiva.
Além disso, profissionais do mercado apontaram forte movimento de short squeeze, já que a ação possui uma das maiores taxas de aluguel da Bolsa, ampliando ainda mais a pressão compradora.
Balanço segue no radar
Apesar da melhora operacional, analistas continuam vendo desafios importantes ligados à elevada alavancagem, pressão de caixa e liquidez da companhia.
Mesmo assim, investidores começam a apostar em uma recuperação gradual da rentabilidade da petroquímica ao longo de 2026 e 2027.