
- A moeda americana teve forte alta nesta sexta-feira (4), revertendo as perdas do dia anterior, em meio a tensões comerciais globais
- Novo aumento de tarifas entre as potências reacendeu temores de recessão e elevou a aversão ao risco entre investidores
- A incerteza global e o cenário de risco reforçaram a pressão sobre a moeda brasileira no dia
A resposta da China às tarifas americanas intensificou os temores dos investidores sobre o risco de uma guerra comercial prolongada. O governo chinês anunciou que irá impor uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos Estados Unidos, medida que entrará em vigor no próximo dia 10.
A decisão foi anunciada pela Comissão Tarifária do Conselho Estatal, em clara retaliação ao “tarifaço” anunciado por Donald Trump nesta semana.
Na quarta-feira, Trump comunicou que os Estados Unidos aplicarão tarifas de pelo menos 10% sobre todos os países que exportam para o mercado americano, com alíquotas ainda maiores para cerca de 60 nações.
A justificativa do presidente americano foi a de combater desequilíbrios comerciais que, segundo ele, prejudicam a indústria e os trabalhadores americanos. A retaliação chinesa, no entanto, foi imediata, e países como Canadá e membros da União Europeia também anunciaram que responderão com medidas semelhantes.
Recessão no horizonte: investidores fogem de ativos de risco
O endurecimento do discurso protecionista dos EUA aumentou os receios de uma desaceleração da economia global. Com as barreiras comerciais em expansão, os fluxos de comércio internacional tendem a cair, pressionando cadeias produtivas, aumentando custos e reduzindo a atividade econômica.
Esse cenário reforça a aversão ao risco por parte dos investidores, que migram de ativos emergentes — como o real brasileiro — para ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro americano.
No Brasil, a fuga de capitais intensifica a pressão sobre o câmbio. Traders e gestores de fundos passaram a revisar projeções para o dólar, prevendo maior volatilidade no curto prazo. A perspectiva de queda no crescimento global também impacta o fluxo de investimentos para países em desenvolvimento, agravando, assim, o cenário para moedas emergentes.
Real perde força após mínima do ano
A disparada do dólar nesta sexta ocorre um dia após a divisa americana ter fechado na menor cotação de 2025 frente ao real.
O movimento de correção já era esperado por analistas, mas foi potencializado pela deterioração do ambiente externo. A moeda brasileira, que vinha se valorizando nas últimas sessões, agora sofre com o realinhamento global dos mercados.
Além disso, o fortalecimento do dólar tende a pressionar os preços no Brasil, afetando diretamente a inflação. Esse cenário poderá, portanto, forçar o Banco Central a rever sua política monetária, especialmente caso o real continue a se desvalorizar com força nos próximos dias.