- O dólar à vista opera em queda de 0,30%, cotado a R$ 5,907, ampliando a redução da semana
- Comentários de Donald Trump indicam uma abordagem mais flexível, impulsionando a confiança dos investidores.
- O IPCA-15 de janeiro e o superávit de Investimento Direto no País ajudam a fortalecer o real
O dólar à vista opera em queda nesta sexta-feira (24), ampliando a redução acumulada ao longo da semana. Assim, após os investidores reagirem de forma positiva aos recentes comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em suas declarações na véspera, Trump sinalizou a possibilidade de uma política comercial mais branda no país. Contudo, o que contribui para uma maior confiança dos mercados e uma valorização do real frente à moeda norte-americana.
Às 10h09, o dólar à vista apresentava uma queda de 0,30%, sendo cotado a R$ 5,907 na compra e R$ 5,908 na venda. No mercado futuro, o dólar para fevereiro, o contrato mais líquido da B3, também seguia em baixa de 0,32%, com a cotação a R$ 5,915.
Na quinta-feira (23), o dólar à vista já havia fechado o dia com uma redução de 0,35%, a R$ 5,9255, marcando o menor valor desde 27 de novembro de 2024. Assim, quando a moeda norte-americana havia encerrado a sessão a R$ 5,9141.
Fatores domésticos e externos
Além dos fatores externos que envolvem a política comercial dos Estados Unidos, o real também é beneficiado por fatores domésticos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, registrou uma alta de 0,11% em janeiro.
Embora o número tenha ficado abaixo da alta de 0,34% registrada no mês anterior, ele ainda superou as expectativas de economistas. Estes, portanto, que previam uma deflação de 0,03% no mês. Em termos anuais, o IPCA-15 apontou uma alta de 4,36% nos últimos 12 meses.
Outro ponto positivo para a moeda brasileira foi o resultado do déficit em conta corrente em dezembro, que ficou abaixo da mediana das projeções do mercado.
Além disso, o Investimento Direto no País (IDP) também teve resultados melhores do que o esperado. Dessa forma, somando US$ 2,765 bilhões em dezembro e US$ 71,070 bilhões em 2024, o que gerou uma sensação de maior estabilidade econômica.
O Banco Central também tem adotado medidas para garantir a estabilidade cambial. Na sessão de hoje, a autoridade monetária realizará um leilão de até 15.000 contratos de swap cambial tradicional, com o objetivo de rolar o vencimento de 5 de março de 2025, o que pode ajudar a suavizar as flutuações do dólar no curto prazo.
Expectativas do mercado
O mercado continuará atento aos próximos acontecimentos, tanto no cenário doméstico quanto internacional. Uma reunião importante do presidente Luiz Inácio da Silva está marcada para a manhã de hoje, com a participação de ministros chave, como Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Carlos Fávaro (Agricultura).
A agenda econômica do governo e os sinais que o presidente e sua equipe emitirem sobre políticas fiscais e monetárias podem influenciar a trajetória do real nos próximos dias.
Para a próxima semana, o mercado estará focado em uma série de decisões de bancos centrais, especialmente a reunião do Banco do Japão, que ocorrerá na sexta-feira (31).
A expectativa é de que o Banco do Japão possa, novamente, subir suas taxas de juros, o que pode impactar os fluxos de capital e influenciar a dinâmica cambial global.
No mercado de câmbio, o dólar turismo também apresenta variações. Hoje, a cotação de compra do dólar turismo está em R$ 6,06, enquanto a venda atinge R$ 6,24. Esse valor costuma ser mais elevado devido às taxas e impostos adicionais relacionados ao câmbio destinado a turistas e viagens internacionais.