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Dólar recua, mas fica acima de R$6 com olhos no pacote fiscal e inflação

Dólar recua, mas ainda se mantém acima de R$ 6 com impacto de saúde de Lula e inflação de novembro

Imagem/Reprodução
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O dólar à vista (USDBRL) fechou nesta terça-feira (10) cotado a R$6,0480, registrando uma queda de 0,57% em relação ao dia anterior, quando havia alcançado o maior fechamento nominal da história, a R$6,0829. No entanto, o dólar segue acima de R$6, com os investidores dividindo suas atenções entre questões domésticas e globais que impactaram o mercado de câmbio.

O quadro de saúde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), internado após uma cirurgia de emergência, teve repercussão no cenário político e econômico. O presidente está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Sírio Libanês, mas seu estado de saúde é estável. Apesar disso, o mercado monitorou possíveis impactos sobre a tramitação do pacote fiscal no Congresso, dado o foco das discussões parlamentares nas reformas fiscais e a reação do governo.

A informação de que o governo federal liberaria R$6,4 bilhões em emendas parlamentares também ajudou a aliviar o dólar. A expectativa é que essas emendas impulsionem a aprovação de pautas fiscais no Congresso, o que traz otimismo ao mercado. “O quadro de saúde do presidente pode atrasar as negociações, mas não deve impedir a aprovação do pacote fiscal ainda este ano”, afirmou Alexandre Padilha, ministro de Relações Institucionais, durante coletiva à imprensa.

Inflação e expectativa de juros

Além das questões políticas, o mercado também reagiu ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro, que registrou uma alta de 0,39%. Embora esse número tenha ficado ligeiramente acima das expectativas do mercado (0,36%), ele apontou uma desaceleração em relação à inflação de outubro, quando a alta foi de 0,56%. Em termos acumulados, o IPCA dos últimos 12 meses chegou a 4,87%, ultrapassando o teto da meta de inflação.

André Valério, economista sênior do Inter, comentou que o aumento do IPCA não justifica uma aceleração no ritmo de alta da Selic. No entanto, ele destacou que o aumento das expectativas de inflação, aliado à recente desvalorização do real, deve influenciar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A expectativa é que o Copom aumente a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, para 12,00% ao ano, com uma probabilidade considerável de um aumento de 1 ponto percentual.

Expectativas internacionais e Federal Reserve

O mercado também acompanha as movimentações internacionais, principalmente em relação à política monetária dos Estados Unidos. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas, subiu 0,26%, atingindo 106,404 pontos. Enquanto isso, o mercado aguarda o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, que será divulgado amanhã, e deverá indicar um aumento nas pressões inflacionárias. Economistas projetam um aumento mensal de 0,3% e um aumento anual de 2,7%.

Se o Federal Reserve (Fed) reduzir as taxas de juros na reunião de dezembro, o dólar poderá se enfraquecer ainda mais, gerando um ambiente mais favorável para investimentos em mercados com taxas de juros mais altas, como o Brasil.