Dólar blue e a economia argentina

Dólarização da Argentina: Desafios e incertezas marcam governo Milei

Dólarização da economia Argentina: O desafio de Milei e o impacto econômico

Foto/Reprodução: Javier Milei
Foto/Reprodução: Javier Milei

O processo de dolarização da economia argentina, proposto por Javier Milei, permanece no centro do debate econômico do país um ano após sua posse na Casa Rosada. Embora o novo presidente tenha prometido uma mudança radical, o caminho para uma economia totalmente dolarizada enfrenta diversos desafios e dúvidas quanto à viabilidade.

Logo no início de seu mandato, Milei implementou uma desvalorização de 50% do peso argentino, como parte de um plano para combater a inflação, que, em 2023, superou os 100%. A medida inicial foi seguida por defasagens mensais de 2%, aumentando o custo de vida para os argentinos. A decisão, no entanto, não foi suficiente para reverter os efeitos da inflação crônica, e o governo recuou na ideia de uma substituição abrupta do peso pelo dólar. Em vez disso, o governo optou por uma estratégia denominada “dolarização endógena”, que visa estimular a entrada de dólares na economia de forma gradual.

Uma das principais iniciativas foi a regularização de até US$ 100 mil por cidadão, permitindo que recursos antes não declarados fossem trazidos à tona sem punições ou impostos adicionais. Desde que a medida foi implementada, cerca de US$ 35 bilhões foram adicionados às Contas Especiais de Regularização de Ativos (CERA). Antes da regularização, os depósitos em dólares já haviam aumentado 40% sob o governo Milei. Este processo, apelidado de “lavagem”, busca reduzir a escassez de dólares e aumentar a confiança no mercado financeiro argentino.

A perspectiva da ‘remonetização’ e do Câmbio flutuante

A proposta de Milei de fechar o Banco Central, embora polêmica, é vista como uma tentativa de frear a impressão de moeda que tem alimentado a inflação. O ministro da Economia, Luis Caputo, defende uma “remonetização” da economia através de um sistema “bimonetário”, onde o dólar e o peso circulam com câmbio flutuante, eliminando as restrições impostas pelo atual “cepo” cambial.

O “cepo”, que limita a compra de dólares a US$ 200 mensais para pessoas físicas e impõe um imposto de 60% na conversão, continua a ser um dos maiores obstáculos à estabilização da moeda. Para as empresas, o bloqueio de transferências de dólares para o exterior agrava ainda mais a crise. Como resultado, o mercado paralelo de dólares, conhecido como “dólar blue“, se tornou uma alternativa popular para os argentinos. Este mercado informal, em que a população compra dólares em casas de câmbio não oficiais, apresenta uma cotação mais alta que o dólar oficial e é utilizado como um termômetro da economia do país.

Impactos e Desafios futuros

Embora o governo busque convergir o valor do dólar blue com o oficial, o processo enfrenta resistência. Porém, a medida poderia gerar uma aceleração da inflação, algo que preocupa economistas e especialistas. Algumas fintechs e redes varejistas, como a Diarco, já começaram a aceitar dólares, mas com a cobrança de taxas adicionais. No caso da Diarco, os dólares danificados são aceitos, mas com uma sobretaxa de 40% em relação ao “dólar blue”.