- Quedas em ações da Vale e Petrobras, impulsionadas por baixa nos preços do minério e petróleo, puxaram o índice para baixo
- Setores financeiros e de consumo, como Itaú e Magazine Luiza, caíram forte com temores fiscais e juros altos
- Enquanto o mercado derreteu, CRFB3 subiu 10,77% após proposta de fechamento de capital animar os investidores
O Ibovespa encerrou a sexta-feira (4) com um forte recuo de 2,96%, aos 127.256,00 pontos, marcando sua maior queda diária desde 18 de dezembro de 2024, quando caiu 3,15%.
O tombo de 3.884,65 pontos reflete o acúmulo de frustrações no cenário econômico global e local, que pressionaram os ativos de risco e levaram os investidores a um movimento intenso de aversão. Com esse desempenho, o principal índice da bolsa brasileira fechou a semana em queda acumulada de 3,52%, a pior desde dezembro de 2022.
Setores-chave como mineração, petróleo, bancos e varejo lideraram as quedas e aumentaram o clima de cautela no mercado financeiro.
Commodities arrastam o índice para baixo
A forte desvalorização das commodities teve impacto direto no desempenho do Ibovespa. Vale (VALE3), um dos papéis de maior peso no índice, recuou 3,99%, influenciada pela queda no preço do minério de ferro e pelas preocupações sobre a demanda chinesa.
No setor de petróleo, a Petrobras (PETR4) também teve um desempenho negativo, com queda de 4,03%, acompanhando a nova baixa nas cotações do barril de petróleo no mercado internacional. O recuo se deu em meio a dados mais fracos de atividade global e incertezas quanto à continuidade dos cortes de produção por parte da Opep+.
Além disso, Embraer (EMBR3) despencou 5,29% após divulgar entregas mais modestas no primeiro trimestre na aviação comercial, o que reforçou a desconfiança dos investidores sobre o ritmo de crescimento da companhia.
Bancos e varejo ampliam as perdas
O setor bancário, tradicionalmente resiliente, também não escapou da pressão vendedora. Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 2,60%, enquanto outros grandes bancos acompanharam a tendência e fecharam o dia com perdas semelhantes. A apreensão com o cenário fiscal interno e o ambiente de juros elevados no exterior afetaram negativamente as expectativas para o setor financeiro.
No varejo, o tombo foi ainda mais acentuado. A Magazine Luiza (MGLU3) liderou as perdas no segmento, com queda expressiva de 8,22%, refletindo a sensibilidade das empresas do setor ao ambiente macroeconômico adverso. O movimento foi reforçado pela perspectiva de manutenção de juros elevados por mais tempo. Dessa forma, o que penaliza o consumo e o crédito.
Poucas exceções em dia de forte pessimismo
Em meio a um pregão amplamente negativo, poucas ações conseguiram escapar do pessimismo. A grande surpresa do dia foi Carrefour (CRFB3), que disparou 10,77% após o controlador elevar a proposta para o fechamento de capital, atraindo interesse de investidores.
Outros dois papéis que encerraram o dia em alta foram Minerva (BEEF3), com leve avanço de 0,15%, e Klabin (KLBN11), que subiu 0,05%. Ainda assim, o número de ativos no vermelho superou amplamente os ganhadores, evidenciando a intensidade da correção no mercado.
Entre os destaques da semana, PCAR3 (Grupo Pão de Açúcar) foi a maior alta acumulada, enquanto BRAV3 liderou as perdas no dia. Já PETR4 foi a ação mais negociada, reforçando sua importância como termômetro do humor dos investidores.