
- Klabin (KLBN11) reverteu lucro e teve prejuízo de R$ 530 milhões
- Câmbio forte e parada em Monte Alegre pressionaram margens
- Fluxo de caixa ficou negativo após aumento dos investimentos
A Klabin (KLBN11) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 530 milhões, revertendo o lucro de R$ 401 milhões registrado um ano antes. Apesar disso, a companhia explicou que o resultado foi fortemente impactado por fatores não recorrentes e pela valorização do real frente ao dólar.
Além da pressão cambial, a empresa enfrentou impactos da parada programada de manutenção em Monte Alegre e da reavaliação contábil dos ativos biológicos, efeito sem impacto no caixa, mas que pressionou o balanço em R$ 764 milhões.
Câmbio e manutenção derrubam margens
Mesmo com avanço de 12% no volume de vendas, a receita líquida cresceu apenas 2%, atingindo R$ 4,9 bilhões. Segundo a companhia, o real mais forte reduziu boa parte do ganho das exportações.
Enquanto o maior volume adicionou R$ 257 milhões ao Ebitda, o câmbio retirou R$ 215 milhões do resultado. Ao mesmo tempo, a parada em Monte Alegre consumiu outros R$ 215 milhões.
Como consequência, o Ebitda ajustado caiu 10%, somando R$ 1,7 bilhão, enquanto a margem recuou de 38% para 34%. Além disso, os custos dos produtos vendidos avançaram 7% no período.
Fluxo de caixa negativo entra no radar
A parada em Monte Alegre durou 14 dias e gerou custo direto de R$ 124 milhões. Segundo a companhia, parte dos investimentos está ligada à instalação de uma nova caldeira de recuperação, projeto que ainda não gera retorno operacional.
Ao mesmo tempo, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 404 milhões, pressionado por investimentos de R$ 839 milhões e pelo maior consumo de capital de giro.
Por outro lado, a empresa reduziu o custo médio da dívida externa após resgatar antecipadamente R$ 1,2 bilhão em Green Bonds. Com isso, a alavancagem em reais caiu para 3,1 vezes Ebitda.