
- Vale (VALE3) e Aura (AURA33) lideram expectativas no 4T com alta de minério e ouro
- Siderúrgicas sofrem com sazonalidade e preços mais fracos no Brasil
- Em celulose, real forte e paradas limitam resultados, apesar de melhora à frente
A temporada de resultados do 4T25 deve trazer um quadro misto para o setor de materiais básicos, com mineradoras em destaque e desempenho mais discreto para siderúrgicas e empresas de papel e celulose.
Segundo analistas, Vale (VALE3) e Aura Minerals (AURA33) aparecem como os principais nomes do trimestre, apoiadas pela alta das commodities metálicas e por custos mais controlados.
Minério e ouro impulsionam mineradoras
O avanço do minério de ferro, com preços cerca de US$ 3 por tonelada acima do trimestre anterior, sustenta expectativas melhores para a Vale (VALE3). Além disso, a contribuição mais forte de metais básicos, como cobre, ajuda a compensar a divisão de minério.
Analistas projetam Ebitda de US$ 4,5 bilhões para a Vale no 4T, com crescimento anual de 9%, mesmo com leve recuo sequencial nos volumes. As vendas devem alcançar 84 milhões de toneladas, reforçando estabilidade operacional.
Já a Aura (AURA33) se beneficia diretamente da disparada do ouro, que subiu cerca de US$ 700 por onça frente ao 3T25. A expectativa é de Ebitda de US$ 221 milhões, alta de 46% no trimestre, refletindo preços mais altos e aumento de volumes.
Aço e celulose seguem sob pressão
No segmento de aço, a sazonalidade pesa contra os resultados. Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5) devem reportar números fracos no Brasil, segundo analistas, apesar de a exposição da Gerdau à América do Norte ajudar a mitigar parte da pressão.
Além disso, as projeções indicam queda de 16% no Ebitda trimestral da Gerdau e recuo de 11% para a Usiminas, refletindo preços mais fracos e menor demanda doméstica. A CSN (CSNA3) também deve apresentar retração relevante.
Em papel e celulose, a combinação de real valorizado, paradas de manutenção e sazonalidade mais fraca limita os resultados. Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11) tendem a mostrar Ebitda menor no 4T, apesar da melhora recente nos preços internacionais da celulose.
O que fazer com as ações
O cenário segue altamente seletivo, segundo analistas. O desempenho das ações deve refletir mais as dinâmicas específicas de cada commodity do que um rali generalizado do setor.
Nesse contexto, casas como BTG e XP mantêm preferência por Vale (VALE3) e Aura (AURA33), além de destaque para CBA (CBAV3), exposta ao alumínio, que opera perto de US$ 3.190 por tonelada.
Por fim, em celulose, a preferência segue por Suzano (SUZB3) frente à Klabin, enquanto Gerdau (GGBR4) permanece como a escolha mais defensiva entre as siderúrgicas.