
- Bancos divergem sobre a sustentabilidade da geração de caixa, mas veem espaço para dividendos.
- Minerva (BEEF3) cai mais de 10% após resultado considerado forte pelo mercado.
- Fluxo de caixa livre de R$ 2,5 bilhões e dívida líquida recuando para R$ 12,2 bilhões.
As ações da Minerva (BEEF3) despencam mais de 10% nesta quinta-feira (6), mesmo após o frigorífico divulgar resultados acima das expectativas no 3º trimestre. O movimento reflete a realização de lucros após forte valorização no ano e dúvidas sobre a sustentabilidade da geração de caixa.
Por volta das 12h10, os papéis da empresa caíam 11,2%, negociados a R$ 6,60, acumulando ainda alta de 70% em 2025. O mercado recebeu bem o balanço, mas analistas destacam que o forte fluxo de caixa pode não se repetir nos próximos trimestres.
Caixa recorde e alta expectativa
Segundo a XP Investimentos, a Minerva entregou um trimestre “para pendurar na parede”. A companhia registrou fluxo de caixa livre (FCF) de R$ 2,5 bilhões, superando amplamente as previsões, apesar de CAPEX e despesas financeiras maiores, influenciadas por operações de hedge.
O desempenho foi impulsionado pela liberação de estoques e fornecedores, além de ganhos de capital de giro. A XP vê o resultado como reflexo direto da melhora nas operações de carne bovina e trading de energia.
Para o Bradesco BBI, as expectativas já eram altas, mas o resultado foi “sólido”. O banco destacou o avanço no mercado de carne da América Latina, com maior disponibilidade de gado no Brasil, fator que deve sustentar volumes fortes no 4º trimestre.
Rentabilidade sólida, mas dúvidas permanecem
A Minerva reportou Ebitda de R$ 1,4 bilhão, em linha com o esperado pelo Itaú BBA, embora ligeiramente abaixo do consenso. Segundo o banco, o custo do gado pressionou margens, reacendendo o debate sobre a recorrência dos lucros.
O destaque foi o fluxo de caixa livre de R$ 2,5 bilhões, impulsionado pela antecipação da venda de estoques nos Estados Unidos, que o BBA esperava apenas no 4º trimestre. Para o banco, o número reduz o risco de liquidez em 2025 e reforça a solidez do caixa.
Mesmo assim, o Itaú aponta duas incertezas: a sustentação da margem bruta e o volume de estoques remanescentes. Ainda assim, manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9, destacando o múltiplo de 4,0x EV/Ebitda para 2026 como atrativo.
BTG e XP veem espaço para dividendos
O BTG Pactual destacou a forte geração de caixa e a redução da dívida líquida para R$ 12,2 bilhões, equivalente a 2,7x Ebitda. Com a alavancagem próxima de 2,5x, o banco vê espaço para pagamento de dividendos nos próximos trimestres.
Apesar do otimismo, o BTG alerta que a sustentabilidade da geração de caixa é incerta, já que parte do resultado veio de financiamentos via clientes e fornecedores. O lucro líquido foi de R$ 118 milhões, impactado por despesas financeiras com hedge.
Para o 4º trimestre, a XP projeta forte rendimento de fluxo de caixa (FCF yield), sustentado pela demanda doméstica e externa aquecida, preços do gado em queda e estoques remanescentes nos EUA, fatores que podem abrir espaço para dividendos robustos.