
- Os preços do barril despencaram nesta quinta-feira, pressionados pelo temor de recessão global
- A nova rodada de tarifas comerciais anunciada por Donald Trump ampliou os receios sobre a desaceleração econômica mundial
- Após sair das mínimas em três anos, a commodity voltou a acumular perdas nesta semana, perdendo o fôlego recente
Os preços do petróleo registram forte queda nesta quinta-feira, pressionados por incertezas econômicas globais e a nova rodada de tarifas comerciais anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O temor de uma recessão e a expectativa de aumento na oferta global contribuem para o movimento de desvalorização da commodity.
Mercado de petróleo em queda livre
O barril do Brent, referência internacional e para a Petrobras (BVMF:PETR4), caiu 4,38%, sendo negociado a US$ 71,69. Já o West Texas Intermediate (WTI), principal referência dos Estados Unidos, recuou 4,62%, para US$ 68,41, no mercado futuro às 7h45 de Brasília.
A pressão sobre os preços aumentou após a divulgação de dados indicando um crescimento expressivo nos estoques de petróleo nos EUA, muito acima das expectativas dos analistas.
O aumento da oferta reforça a preocupação com uma demanda enfraquecida no país, sinalizando que o consumo de combustíveis pode estar desacelerando.
Apesar das tensões persistentes no Oriente Médio e do conflito entre Rússia e Ucrânia, os fatores geopolíticos têm tido impacto limitado nos preços. O prêmio de risco embutido nas cotações se mostrou marginal, com os investidores concentrando atenção nos fundamentos do mercado de oferta e demanda.
Tarifas de Trump ampliam incerteza econômica
O governo Trump anunciou uma tarifa básica de 10% sobre a maior parte das importações americanas e aumentou tributação sobre seus principais parceiros comerciais. As novas medidas equivalem a aproximadamente metade das tarifas aplicadas por esses países sobre as exportações dos EUA.
A decisão provocou reação imediata no mercado financeiro, com analistas alertando para um risco crescente de recessão nos Estados Unidos e em escala global.
Uma retração econômica poderia reduzir significativamente a demanda por petróleo, uma vez que a atividade industrial e o consumo de energia costumam cair em momentos de crise.
A reação das principais economias mundiais foi negativa, com ameaças de retaliação e críticas às novas tarifas. Esse novo capítulo da guerra comercial global aumenta a volatilidade dos mercados e pode comprometer a retomada econômica pós-pandemia.
China sofre maior impacto, mas pode reagir
A China, maior importadora mundial de petróleo, foi a mais atingida pelas novas tarifas americanas. As importações chinesas agora estão sujeitas a uma alíquota de 54%, enquanto a União Europeia enfrenta tarifas de 20%.
Apesar do golpe, dados divulgados nesta quinta-feira indicam que o setor de serviços da China cresceu acima das expectativas em março, impulsionado por medidas de estímulo econômico do governo. O mercado especula que Pequim deve ampliar os incentivos para minimizar os impactos das tarifas e sustentar o crescimento.
Ainda assim, a demanda chinesa por petróleo vem demonstrando sinais de enfraquecimento nos últimos anos, à medida que a economia desacelera. Se essa tendência persistir, a pressão sobre os preços da commodity pode aumentar ainda mais nos próximos meses.
Expectativas para a reunião da Opep+
A atenção do mercado agora se volta para a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), prevista para ocorrer ainda hoje. Há grande expectativa de que o grupo anuncie estratégias para ajustar a produção e equilibrar a oferta.
Se a Opep+ optar por ampliar a produção, o mercado de petróleo poderá enfrentar ainda mais pressão, levando as cotações a patamares mais baixos. No entanto, caso o cartel decida manter os cortes na produção, isso poderia sustentar os preços e minimizar as perdas recentes.
O mercado segue atento aos desdobramentos políticos e econômicos que definirão o rumo do petróleo nos próximos meses. Com incertezas sobre a demanda global, riscos de recessão e possíveis reações da Opep+, a volatilidade deve continuar elevada.