Fatores de alta

Quais gatilhos fizeram a Braskem (BRKM5) explodir quase 30% na Bolsa?

Disparada histórica das ações ganhou força com recomendação do JPMorgan, alta pressão compradora e expectativa pelo balanço.

braskem GDI
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  • Braskem (BRKM5) disparou 29% com combinação de upgrade e short squeeze.
  • JPMorgan elevou recomendação e aumentou preço-alvo para R$ 15.
  • Mercado também reagiu à melhora da governança e recuperação dos spreads petroquímicos.

As ações da Braskem (BRKM5) viveram uma sessão explosiva na Bolsa após dispararem 29% em um único pregão, movimento impulsionado por uma combinação de upgrade do JPMorgan, expectativa pelos resultados do primeiro trimestre e forte pressão de short squeeze.

Ao longo do dia, os papéis aceleraram fortemente os ganhos e encerraram cotados a R$ 11,87, em um dos movimentos mais intensos do Ibovespa em 2026.

Short squeeze amplificou disparada

Além da melhora na percepção operacional, o mercado destacou o forte efeito técnico envolvendo posições vendidas na companhia.

Segundo dados da Ágora Investimentos, BRKM5 possui uma das maiores taxas de aluguel da Bolsa brasileira, indicando elevado volume de investidores apostando na queda da ação.

Nesse cenário, quando o papel começou a subir rapidamente após o upgrade do JPMorgan, muitos investidores vendidos precisaram recomprar ações para reduzir prejuízos, alimentando ainda mais a pressão compradora no chamado short squeeze.

JPMorgan mudou visão sobre companhia

O gatilho principal veio após o JPMorgan elevar a recomendação da petroquímica para equivalente à compra e aumentar o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15.

Segundo o banco, a companhia entra em um ciclo potencialmente mais favorável diante da restrição global de oferta petroquímica, melhora dos spreads e fortalecimento da governança corporativa após a reestruturação societária.

Além disso, os analistas avaliam que os impactos geopolíticos no Oriente Médio continuam apertando a oferta global de petroquímicos e sustentando recuperação gradual das margens.

Governança e incentivos entraram no radar

O mercado também reagiu positivamente às mudanças na estrutura societária da petroquímica.

A nova configuração prevê modelo de cogovernança entre Petrobras (PETR4) e o fundo IG4, reduzindo a concentração anterior ligada à Novonor e fortalecendo mecanismos de governança.

Ao mesmo tempo, investidores passaram a precificar possíveis benefícios ligados aos novos programas de incentivo à indústria química brasileira, incluindo expansão do REIQ e criação do PRESIQ.

Segundo o JPMorgan, essas medidas podem aliviar custos, melhorar competitividade e apoiar investimentos futuros da companhia.

Resultado do trimestre segue no foco

Enquanto isso, o mercado segue atento à divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026.

Os dados operacionais já divulgados mostraram recuperação parcial no Brasil e nas operações dos Estados Unidos e Europa, embora o México continue pressionando resultados por problemas no fornecimento de etano.

Mesmo assim, analistas seguem vendo desafios ligados à elevada alavancagem, liquidez e geração de caixa da petroquímica.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.