
- Raízen (RAIZ4) registrou prejuízo de R$ 7,3 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/26.
- Dívida líquida disparou para R$ 58,2 bilhões, alta de quase 70% em um ano.
- Shell apoiará a reestruturação com aporte de R$ 3,5 bilhões e reforço financeiro.
A Raízen (RAIZ4) registrou prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/26, aprofundando a crise que levou a companhia a buscar uma recuperação extrajudicial. O resultado negativo quase triplicou em relação à perda de R$ 2,5 bilhões registrada um ano antes.
Além disso, a empresa encerrou o período com uma dívida líquida de R$ 58,2 bilhões, valor que representa um salto de 69,9% na comparação anual e reforça os desafios enfrentados pela controlada da Cosan e da Shell.
Prejuízo explode apesar de avanço operacional
A Raízen conseguiu elevar seu Ebitda ajustado em 46% no trimestre, alcançando R$ 2,8 bilhões. No entanto, o avanço operacional não foi suficiente para compensar os impactos financeiros e os efeitos do cenário adverso enfrentado pela companhia.
Ao mesmo tempo, a receita líquida recuou 11,1%, para R$ 51,3 bilhões, refletindo dificuldades em algumas das principais áreas de atuação da empresa.
Segundo a companhia, o segmento de distribuição de combustíveis no Brasil foi o principal destaque positivo, com crescimento de 60,4% no Ebitda ajustado, que atingiu R$ 1,7 bilhão.
Clima e juros agravaram a crise
A empresa atribuiu parte relevante da deterioração financeira aos efeitos climáticos observados desde a safra 2024/25. Secas, queimadas e períodos de chuva excessiva reduziram a moagem, a produtividade e a qualidade da cana-de-açúcar.
Além disso, a combinação de juros elevados, volatilidade das commodities e dificuldades operacionais pressionou fortemente a geração de caixa da companhia.
Por isso, áreas ligadas a etanol, açúcar e bioenergia continuaram enfrentando dificuldades ao longo do trimestre, mesmo com os esforços de recuperação operacional.
Shell injeta capital para ajudar na recuperação
A recuperação extrajudicial da Raízen avançou após a adesão de mais de 80% dos credores ao plano de reestruturação apresentado pela companhia.
O projeto prevê um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell, conversão de parte das dívidas em ações e refinanciamento dos valores remanescentes.
Além disso, a empresa já levantou cerca de R$ 5 bilhões com venda de ativos nos últimos 12 meses e pretende concluir a separação entre os negócios de energia e combustíveis até o fim de 2027.