
- Infraestrutura de grãos mostra sinais positivos, beneficiando empresas logísticas com soja adiantada
- Brava Energia cria valor relevante, enquanto Intelbras segue pressionada por receita fraca
- Varejo inspira cautela, mas JBS pode destravar liquidez com índices Russell
O Santander divulgou uma série de relatórios setoriais que mostram um cenário heterogêneo para empresas brasileiras, com sinais positivos na infraestrutura de grãos, pressões operacionais na Intelbras e criação relevante de valor na Brava Energia. Ao mesmo tempo, o banco alerta para desafios no varejo e destaca um potencial gatilho de liquidez para a JBS.
Além disso, o conjunto das análises indica que, embora alguns riscos sigam no radar, parte relevante dos cenários negativos já está precificada, o que abre espaço para diferenciação entre setores e ativos ao longo de 2026.
Infraestrutura de grãos ganha tração com soja adiantada
A colheita de soja no Mato Grosso alcançou 6,7% da área, ficando acima da média histórica. Ao mesmo tempo, o plantio da segunda safra de milho chegou a 2,8%, também superando o ritmo do ano anterior.
Com isso, o avanço da soja reduz riscos para a janela do milho safrinha, fator que melhora a visibilidade logística. Assim, o Santander vê dados iniciais positivos para Rumo (RAIL3) e Hidrovias do Brasil.
Ainda assim, o banco ressalta que chuvas recentes podem gerar atrasos pontuais. Portanto, produtividade e clima seguem como as principais variáveis de monitoramento nos próximos meses.
Intelbras sofre com receita fraca apesar de margens melhores
A Intelbras (INTB3) deve apresentar um 4T25 fraco em receita, mesmo com melhora relevante nas margens, segundo o Santander. A receita líquida estimada é de R$ 1,2 bilhão, queda de 9,5% na comparação anual.
Por outro lado, a margem EBITDA deve subir para 13,4%, impulsionada por corte de despesas operacionais. Assim, o lucro líquido estimado em R$ 155 milhões reflete um ganho expressivo de rentabilidade.
Apesar disso, o trimestre tende a ser visto como negativo pelo mercado, já que a empresa é tratada como uma história de crescimento de receita. Ainda assim, o Santander avalia que o cenário já está amplamente precificado.
Brava Energia avança no offshore e destrava valor
A Brava Energia (BRAV3) anunciou a compra de 50% não operado de Tartaruga Verde e Espadarte Módulo III por US$ 450 milhões. Os ativos já são produtivos e apresentam geração de caixa positiva.
Com isso, o impacto na alavancagem é limitado, enquanto a exposição offshore aumenta. Além disso, a operação traz Petrobras (PETR4) como operadora, o que reduz riscos operacionais.
Segundo o Santander, a transação gera criação de valor, com VPL implícito de R$ 4,80 por ação. Assim, a estimativa é de queda da alavancagem para cerca de 1,2x até 2026, sustentando a recomendação de desempenho superior.
Varejo entra em 2026 com sinais de alerta
A temporada de resultados do 4T25 no varejo deve ser mista, com leitura cautelosa dos números. A deterioração macroeconômica tende a pressionar o consumo, segundo o Santander.
O varejo alimentar segue fraco, enquanto o segmento de vestuário deve sentir queda de demanda. Em contraste, o varejo farmacêutico permanece resiliente, impulsionado pela demanda por GLP-1.
Nesse contexto, o banco destaca atenção especial a C&A (CEAB3), Vivara (VIVA3), Smart Fit (SMFT3) e Renner (LREN3). Assim, resultados fracos no 4T25 podem servir como alerta antecipado para 2026.
JBS pode destravar liquidez com índices Russell
A JBS (JBSS3) negocia a 7,4x EV/EBITDA 2026, refletindo o ciclo negativo do gado nos EUA e revisões para baixo nos lucros. Ainda assim, o Santander vê um potencial catalisador relevante.
A possível inclusão nos índices Russell 1000 e 3000 pode gerar entrada de capital entre US$ 800 milhões e US$ 960 milhões. Esse fluxo equivale a 11 a 13 dias úteis de negociação.
A empresa é elegível aos critérios, embora a decisão dependa do enquadramento como empresa americana. As datas-chave são 22 de maio, na prévia do rebalanceamento, e 26 de junho, quando a entrada entra em vigor.