
- CVC (CVCB3) anuncia Fábio Mader como novo CEO, encerrando ciclo de turnaround
- Mercado vê a troca como continuidade estratégica, sem impacto relevante no curto prazo
- Projeções indicam retorno ao lucro em 2026, mas valuation segue pressionado
A CVC (CVCB3) anunciou a troca imediata no comando executivo, com a nomeação de Fábio Mader como novo CEO, em substituição a Fábio Godinho. A mudança marca a transição para uma nova fase, após a conclusão do processo de turnaround iniciado no pós-pandemia.
Apesar do anúncio, a leitura do mercado é de continuidade estratégica, sem expectativa de impacto relevante de curto prazo nas ações. Analistas avaliam que a troca reforça a execução operacional, sem alterar o plano central da companhia.
Troca no comando
A escolha de Fábio Mader, até então vice-presidente de Produtos e Revenue Management, reflete a busca da CVC (CVCB3) por maior foco em execução, rentabilidade e crescimento. O executivo soma mais de 20 anos de experiência no setor de turismo e quase 15 anos dentro do grupo.
Segundo a avaliação do mercado, o novo CEO conhece profundamente a operação e os desafios da empresa. Por isso, a mudança é vista como um passo natural, e não como uma guinada estratégica.
Com isso, a expectativa é de reação neutra das ações, já que não há sinal de ruptura no modelo de negócios nem no direcionamento financeiro.
Números operacionais
A CVC (CVCB3) encerrou o período com receita estimada de R$ 1,46 bilhão em 2025, com projeção de crescimento gradual nos próximos anos. O EBITDA deve alcançar cerca de R$ 437 milhões, enquanto o lucro líquido ainda permanece pressionado, com expectativa negativa em 2025.
Para 2026, as projeções indicam retorno ao lucro, com resultado positivo próximo de R$ 44 milhões, além de avanço no EBITDA e maior diluição da alavancagem.
Mesmo assim, o valuation segue pressionado. O preço-alvo estimado é de R$ 2,40, abaixo da cotação atual de R$ 2,70, o que sustenta uma recomendação neutra.
Dívida e riscos
A alavancagem da CVC (CVCB3) segue sob controle, com dívida líquida/EBITDA em torno de 0,4x a 0,5x, considerada saudável para o setor. A empresa, porém, ainda enfrenta desafios estruturais.
Entre os principais riscos estão a volatilidade cambial, a concorrência crescente de plataformas digitais e possíveis dificuldades na expansão de lojas franqueadas. Além disso, novas unidades podem apresentar produtividade inferior à base atual.
Assim, o foco do novo CEO será equilibrar crescimento, eficiência operacional e disciplina financeira, sem acelerar riscos desnecessários.
O que fazer com as ações da CVC?
A indicação do Santander para a CVC (CVCB3) é de manutenção das ações, ou seja, manter. Apesar da melhora operacional gradual e da expectativa de retorno ao lucro em 2026, o preço atual já negocia acima do preço-alvo estimado, limitando o potencial de valorização no curto prazo.
Assim, o papel pode seguir em carteira apenas para quem já está posicionado, enquanto novas entradas exigem maior cautela e pontos de entrada mais atrativos.