
- Decisão impulsiona o otimismo sobre margens e fluxo de caixa das exportadoras de proteína.
- Ações da MBRF (MBRF3) subiram mais de 5% após a China reabrir o mercado ao frango brasileiro.
- Goldman Sachs projeta alta de até 7% no Ebitda do setor em 2026 e mantém recomendação de compra.
A MBRF (MBRF3) subiu 5,28%, a R$ 18,15, após a China suspender a proibição de importações de frango brasileiro. A Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) anunciou a medida nesta sexta-feira (7), encerrando o bloqueio imposto em maio. A suspensão ocorreu após o país confirmar que os casos de gripe aviária estavam controlados.
A decisão marca o retorno do principal mercado externo da carne de frango nacional e anima os investidores. Além disso, o movimento reacende expectativas de recuperação nas margens das exportações. O Brasil, maior fornecedor global, respondeu por 59% das importações chinesas em 2024. Já o mercado chinês representou 11% das vendas externas brasileiras, reforçando a importância da parceria comercial.
China volta ao jogo e impulsiona frigoríficos
Com a reabertura do mercado chinês, analistas veem um efeito imediato sobre os preços e margens do setor. O Goldman Sachs afirma que a medida deve restaurar o equilíbrio entre oferta e demanda. Além disso, o impacto será maior nos cortes premium, como patas de frango, que garantem maior rentabilidade às exportações.
Durante o bloqueio, o excesso de oferta no mercado doméstico chegou a 5%, pressionando os preços e reduzindo margens. Agora, o cenário se inverte, e a retomada das exportações tende a aliviar o estoque e aumentar o faturamento das principais exportadoras.
Para os frigoríficos listados, como a MBRF (MBRF3) e a BRF (BRFS3), o movimento sinaliza forte recuperação operacional, com expectativa de reflexo positivo nos balanços a partir do quarto trimestre.
Analistas projetam alta no Ebitda e fluxo de caixa
De acordo com o Goldman Sachs, os efeitos combinados da decisão chinesa podem elevar em até 7% a projeção de Ebitda consolidado da BRF para 2026, com impacto ainda maior no fluxo de caixa livre.
O banco vê o movimento como um gatilho de valorização para o setor, especialmente diante da retomada dos volumes de exportação de maior valor agregado.
Embora alguns analistas alertem que uma normalização global poderia reduzir margens, o Goldman mantém recomendação de compra para a MBRF, reforçando que o momento continua favorável às proteínas brasileiras.
Além disso, a redução esperada na alavancagem da empresa até 2026 e a expansão internacional via parceria com o PIF, fundo soberano da Arábia Saudita, fortalecem a tese de que o setor deve seguir em trajetória de valorização.
Setor de proteínas ganha novo fôlego
A suspensão das restrições pela China não beneficia apenas a MBRF, mas também todo o setor de proteínas. O retorno das exportações plenas para o mercado asiático tende a sustentar preços internacionais, reduzindo o excesso de oferta global.
Com isso, frigoríficos voltam ao radar de grandes fundos estrangeiros, que enxergam na MBRF e na BRF potenciais líderes em retomada de crescimento e consolidação no exterior.
O Goldman Sachs reafirmou preço-alvo de R$ 28,30 para a MBRF, reforçando o potencial de valorização superior a 50% frente à cotação atual.