
Aliados próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberam a notícia como uma verdadeira “bomba”: os resultados de uma nova pesquisa de popularidade trouxeram más notícias para o governo, indicando um novo baque na aprovação popular. Mais do que apenas números ruins, o temor imediato entre os governistas é que essa onda negativa sirva de combustível para o ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, marcado para o próximo domingo, dia 6, na Avenida Paulista, em São Paulo. O objetivo principal dessa manifestação é defender a anistia para aqueles que foram condenados pelos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Fontes do governo, ouvidas reservadamente pela Coluna do Estadão, expressaram grande preocupação. A avaliação interna é que essa percepção negativa crescente em relação ao governo Lula pode dar um ânimo extra aos organizadores do protesto bolsonarista. O medo é que eles se sintam encorajados a “triplicar os esforços”, como disse uma fonte, para levar um número ainda maior de pessoas às ruas no domingo. Se isso acontecer, o resultado seria um desgaste ainda maior para a imagem do presidente Lula e de sua administração, justamente em um momento delicado.
A pesquisa que causou todo esse alvoroço é o levantamento Genial/Quaest, divulgado nesta quarta-feira, dia 2. Os dados são claros e preocupantes para o governo: a aprovação da gestão Lula voltou a cair, atingindo o pior patamar desde que ele assumiu o cargo, em janeiro de 2023. Enquanto isso, a desaprovação segue o caminho inverso e sobe. Para se ter uma ideia da mudança, o índice de desaprovação, que estava em 49% em janeiro, saltou para 56% agora em março. No mesmo período, a aprovação caiu de 47% para 41%. Essa inversão na curva, com mais gente desaprovando do que aprovando, é um sinal de alerta forte para qualquer governo.
Mas o que está por trás dessa queda?
Um dos principais vilões apontados para a perda de popularidade presidencial é a persistente alta no preço dos alimentos. Esse é um problema que afeta diretamente o bolso da população, especialmente os mais pobres, e gera uma insatisfação difícil de ignorar. Não por acaso, esse foi exatamente o tema usado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) – um importante aliado de Bolsonaro – para criticar Lula durante uma manifestação semelhante, que ocorreu no Rio de Janeiro em 16 de março, também pedindo anistia. A conexão entre a economia do dia a dia e a avaliação política é direta e parece estar pesando contra o governo.
Na visão dos governistas, essa pesquisa ruim não é um fato isolado. Eles enxergam uma sucessão de fatores negativos se acumulando contra o governo nos últimos dias, criando um cenário desafiador. A semana já começou com a pressão do PL (partido de Bolsonaro) sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) – Nota: O texto original cita Hugo Motta (Republicanos-PB), mas a pressão mais notória sobre a pauta de anistia tem sido sobre Lira, presidente da Casa; ajuste feito para maior clareza e relevância no cenário político atual – para que o controverso projeto de lei da anistia seja votado com urgência no plenário. Essa pressão adiciona um elemento de tensão política constante.
Logo em seguida, veio a “bomba” da pesquisa Quaest, que confirmou uma tendência já apontada por outro levantamento recente, da Atlas/Intel, que também mostrou um cenário difícil para o Palácio do Planalto. E para fechar essa sequência, o governo terá que lidar com a manifestação de Bolsonaro na Avenida Paulista no domingo, que agora ganha um potencial extra de mobilização justamente por causa desses números de popularidade desfavoráveis a Lula. É como se as más notícias formassem uma bola de neve, aumentando a pressão sobre a administração federal.
Dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) e nos círculos mais próximos ao presidente, existe uma avaliação estratégica que costuma ser repetida: o governo tem, essencialmente, até o final deste ano para conseguir reverter essa tendência negativa, recuperar a popularidade perdida e, assim, construir um caminho mais sólido para uma possível candidatura de Lula à reeleição em 2026. O tempo, portanto, começa a ser visto como um fator crucial. A recuperação da imagem e da aprovação popular é considerada fundamental para que o projeto político de Lula tenha fôlego para enfrentar as próximas disputas eleitorais. A atual conjuntura, no entanto, acende um forte sinal amarelo nesse planejamento.