
- Estudo da Loft Dados mostra combinação de valorização e alta dos aluguéis como principal motor do desempenho.
- Com 25,3% de retorno anual, a capital mineira superou São Paulo (21,8%) e Rio de Janeiro (19,4%).
- Renda mensal, estabilidade e valorização colocam ativos residenciais entre os preferidos no cenário de juros altos.
Um novo levantamento da startup de inteligência imobiliária Loft Dados revelou que o setor de imóveis residenciais vive um momento de alta rentabilidade. O estudo, divulgado nesta terça-feira (25), aponta que a rentabilidade média anual com imóveis no Brasil atingiu 19,2% em fevereiro de 2025, considerando o ganho com aluguéis e valorização do ativo. O resultado marca o maior retorno observado nos últimos cinco anos.
Belo Horizonte ultrapassa São Paulo e Rio em retorno imobiliário
De acordo com a plataforma Metro Quadrado, a capital mineira Belo Horizonte lidera o ranking nacional de rentabilidade entre imóveis residenciais. Em fevereiro, a cidade registrou retorno médio de 25,3% ao ano, superando centros tradicionais como São Paulo (21,8%) e Rio de Janeiro (19,4%).
A análise combina os ganhos com aluguel e a valorização dos imóveis, o que reflete não apenas o mercado de locação, mas também o movimento de preços no mercado secundário. Segundo especialistas, o bom desempenho de BH está ligado a um mix de fatores, como valorização de bairros estratégicos, aumento da demanda por moradias e um crescimento mais controlado no valor dos imóveis.
Além disso, o estudo indica que regiões com maior liquidez e infraestrutura completa registraram performance ainda superior. Bairros como Funcionários, Santo Agostinho e Savassi se destacaram como os mais rentáveis da capital mineira, com retornos que passaram de 28% ao ano.
Alta da Selic segurou preços, mas valorizou o aluguel
Apesar do bom desempenho, analistas apontam que o ambiente de juros ainda elevados freou um pouco o aumento dos preços de venda. No entanto, a forte demanda por locação — especialmente em grandes centros urbanos — impulsionou os aluguéis. Como consequência, a rentabilidade geral aumentou, já que o retorno do aluguel cresceu em ritmo superior ao da valorização.
O Valor Investe destacou que imóveis com boa localização, metragem menor e padrão moderno foram os que apresentaram as maiores taxas de retorno. Além disso, imóveis com valores entre R$ 300 mil e R$ 600 mil mostraram melhor liquidez e desempenho em locação, com taxas de ocupação mais altas e menor tempo em que os imóveis ficam vazios entre um inquilino e outro.
Segundo os dados da Loft, a rentabilidade líquida dos aluguéis no Brasil ficou em 6,8% ao ano, enquanto a valorização média dos imóveis atingiu 11,7% no mesmo período. Esses dois indicadores, somados, explicam a alta performance da carteira imobiliária.
Investimento em imóveis volta ao radar de investidores tradicionais
Com a queda recente dos investimentos de renda fixa e o mercado de ações ainda instável, o imóvel voltou a ocupar espaço entre as alternativas mais buscadas por investidores tradicionais. A estabilidade, previsibilidade e o potencial de valorização passaram a atrair tanto pessoas físicas quanto pequenos fundos de investimento.
De acordo com o analista Carlos Martins, da consultoria Neoinvest, o cenário atual favorece estratégias de diversificação com foco em ativos reais. “Além da proteção patrimonial, o imóvel se mostrou uma fonte consistente de renda mensal. Isso atraiu novos perfis de investidores que antes ficavam restritos a produtos bancários tradicionais”, afirma.
Além disso, ele destaca que o mercado vive uma nova fase, com o uso de dados, tecnologia e inteligência geográfica. Plataformas como a Loft, QuintoAndar e a própria Metro Quadrado passaram a oferecer estudos detalhados, mapas de calor e previsões de rentabilidade por região, o que facilita a tomada de decisão para quem deseja aplicar no setor.
Portanto, o movimento de alta rentabilidade vem acompanhado de maior profissionalização e de ferramentas que reduzem o risco do investimento.
Confira a seguir os 20 bairros mais lucrativos de 2024 em cada uma das três cidades:
- Belo Horizonte – Centro: 36,6% α.α.
- Belo Horizonte – Santa Terezinha: 33,7% α.α.
- Belo Horizonte – Bandeirantes: 33% a.a.
- Belo Horizonte – Caiçaras: 31,1% a.a.
- São Paulo – Jardim São Luís: 24,7% α.α.
- Belo Horizonte – Carlos Prates: 23,1% α.α.
- São Paulo – Sapopemba: 23% α.α.
- São Paulo – Vila Sônia: 22,2% α.α.
- Belo Horizonte – Salgado Filho: 21,8% a.a.
- São Paulo Vila – Aricanduva: 21,5% a.a.
- Rio de Janeiro – Penha: 20,5% α.α.
- Belo Horizonte – Paquetá: 20,2% α.α.
- Belo Horizonte – Boa Viagem: 18,8% a.a.
- São Paulo – Sítio do Mandaqui: 17,3% a.a.
- Belo Horizonte – Silveira: 26,9% a.a.
- Belo Horizonte – Jardim América: 16,7% а.а.
- Belo Horizonte – Ouro Preto: 16,6% a.a.
- São Paulo – Sacomã: 16,1% а.а.
- Belo Horizonte – Floramar: 15,8% a.a.
- Rio de Janeiro – Maracanā: 15,2% a.a.