
O Dia dos Namorados, data comemorada tradicionalmente no Brasil no dia 12 de junho, um dos costumes é que haja a troca de presentes para a manifestação de carinho e afeto. Porém, especialistas advertem sobre o uso compulsivo do dinheiro na hora das compras para que as finanças pessoais não sejam comprometidas. Mas afinal de contas: é possível ter um bom dia dos namorados utilizando práticas financeiras responsáveis e conscientes na hora de presentear os parceiros?
De acordo com um levantamento de dados realizado pela Globo com 1000 pessoas, em conjunto com a PiniOn, cerca de 62,5% dos brasileiros entrevistados estão em um relacionamento amoroso. Dentre eles, 59% são casados, 27% solteiros, 11% se encontram em um relacionamento casual e 3% estão noivos. Além disso, 86% afirmam ter o costume de comemorar a data, sendo a maioria das classes A e B (91%).
Entre os presentes mais cotados a serem oferecidos estão: roupas com 27% de procura, perfumes e cosméticos (25%), chocolates e doces (23%). Opções mais acessíveis para o bolso do brasileiro também estão na lista, como cestas de café da manhã (14%), uma refeição especial fora de casa (14%) ou até algo simbólico feito artesanalmente (10%).
Uma pesquisa publicada no Daily Mail revela que homens são os mais propícios a errar na compra do presente. Um em cada seis casais diz ter brigado por causa de uma má escolha. Um terço das mulheres alega dar a seus parceiros uma lista de opções para ajudá-los a evitar erros, já que um quinto delas afirma que seu parceiro não entende o que elas querem. Já as mulheres, são mais cuidadosas, como também os presentes que escolhem são muito bem pensados, específicos e exclusivos.
Ainda segundo o levantamento de dados, no ranking de formas de pagamento, o Pix saiu na frente com 36% das transações e se tornou a preferência na hora da compra dos presentes. Na sequência, estão: cartão de crédito de forma parcelada (34%), cartão de débito (27%), cartão de crédito à vista (24%), dinheiro (22%), transferência bancária (4%) e boleto (3%). Dados do Banco Central mostram que o Pix atingiu um recorde e bateu 122 milhões de transações em 24h, chegando a registrar transferências de R$62,8 bilhões.
Fernando Lamounier, especialista em educação financeira, afirma: “É importante que haja um planejamento financeiro para evitar imprevistos e o comprometimento das finanças na hora do desembolso. Além de considerar fatores-chave como preço, qualidade do produto, localização, promoções e descontos”.
A pesquisa evidencia que as mulheres são as que compram os presentes com maior antecedência e planejamento, mas os homens são os que gastam mais, podendo haver um conflito acerca da competitividade na hora de oferecer o agrado. Ainda assim, em comparação ao ano anterior, os casais brasileiros pretendem aumentar os gastos com presentes, fato que aquece o comércio do país.
Segundo o levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 46% dos casais brasileiros brigam por questões financeiras. Destes, 51% culpam o cônjuge pela situação e 15% acreditam que assuntos desta natureza não devem ser tratados em uma relação. Ou seja, é necessário que a comunicação relacionada a temas deste tipo seja tratada para a boa saúde do relacionamento.
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostra que em 2022, a cada 100 famílias brasileiras, 78 estavam endividadas. Uma das principais razões pela inadimplência foi o descontrole financeiro, levado também pela quantidade exagerada de compras. É essencial que não só apenas em datas comemorativas, mas que haja um planejamento financeiro antes de fazer compras.
“O planejamento e a comunicação são essenciais dentro de um relacionamento. Não é diferente para os assuntos com dinheiro. É possível ter um ótimo Dia dos Namorados e continuar dentro do orçamento”, comenta o especialista.
Lamounier ressalta que apesar de existir casais que escolhem não tratar de assuntos financeiros na relação, é necessário que haja uma comunicação aberta e clara para que atritos não sejam recorrentes afetando o bom convívio no dia-a-dia, além de prevenir prejuízos financeiros.