
O Bradesco (BBDC4) voltou aos holofotes do mercado após registrar alta inesperada na inadimplência corporativa no terceiro trimestre. A direção do banco correu para conter o temor de uma nova crise de crédito, afirmando que os casos são “isolados” e não representam tendência estrutural.
Mesmo com o discurso tranquilizador, os números acenderam o sinal de alerta. O banco reforçou suas provisões para devedores duvidosos (PDD) em R$ 9,4 bilhões, superando as expectativas do mercado. Parte desse aumento veio da carteira de financiamentos agrícolas herdada do Banco John Deere — justamente em um momento de maior pressão sobre o setor.
Inadimplência assusta, mas banco tenta minimizar impacto
A alta na inadimplência corporativa pegou analistas de surpresa, sobretudo após o Bradesco afirmar que vinha fortalecendo sua política de crédito desde 2023. O salto, embora atribuído a “casos pontuais”, levou o banco a elevar as reservas de segurança e reforçar a comunicação com investidores.
O CEO Marcelo Noronha defendeu que o problema não se espalhou pela carteira de crédito e destacou que 60% das operações possuem garantias. Ainda assim, o aumento na PDD levantou dúvidas sobre a real qualidade dos ativos e a exposição a empresas do agronegócio e da indústria.
Internamente, executivos afirmam que o cenário é de atenção máxima, mas não de crise. O banco mantém sua projeção de crescimento da carteira total entre 7% e 8% em 2025, mesmo com a piora pontual no trimestre.
Agronegócio vira ponto sensível
O setor do agronegócio foi o que mais chamou atenção nos resultados. Após a aquisição da carteira do Banco John Deere, o Bradesco passou a lidar com um perfil de crédito mais arriscado, com financiamentos de longo prazo e margens mais apertadas.
Apesar de reconhecer o aumento do risco, o banco ainda vê o agro como “grande oportunidade”. Noronha afirmou que a inadimplência está concentrada em poucas empresas e que o agronegócio segue sendo um dos motores de crescimento do crédito no país.
Nos bastidores, porém, analistas consideram que o banco pode enfrentar pressões adicionais nos próximos trimestres, já que parte da carteira agrícola depende de preços de commodities voláteis e clima favorável para manter a saúde financeira.
Reação do mercado e próximos passos
A reação do mercado foi imediata: as ações do Bradesco caíram mais de 3% após a divulgação do balanço, refletindo o desconforto dos investidores com a alta inesperada nas provisões. Ainda assim, a instituição tenta mostrar controle e aposta na recuperação gradual da margem financeira nos próximos trimestres.
O banco também reforçou que o cenário macroeconômico segue positivo, com melhora no consumo e espaço para redução da Selic, o que pode aliviar a inadimplência ao longo de 2026.
Mesmo assim, o recado ficou claro: a confiança do mercado ainda precisa ser reconquistada. E até lá, cada dado sobre calotes será observado com lupa pelos investidores.
Resumo final — principais pontos
- Bradesco (BBDC4) enfrenta alta pontual na inadimplência corporativa, mas afirma que situação está sob controle.
- Agronegócio se torna foco de atenção após integração da carteira do Banco John Deere.
- Mercado reage com cautela, temendo que o aumento das provisões sinalize riscos maiores à frente.