
Brasil e Estados Unidos mantiveram as previsões do mercado em mais uma Super Quarta. O Banco Central brasileiro elevou a Selic em 1 ponto percentual, atingindo 14,25% ao ano — o maior nível desde 2016. Já o Federal Reserve optou por manter sua taxa entre 4,25% e 4,50%, reforçando uma postura cautelosa diante de uma possível desaceleração econômica.
Nos EUA, após três cortes no fim de 2024, o Fed mantém os juros estáveis desde janeiro, sinalizando um compasso de espera para avaliar os efeitos das consecutivas tarifas de Donald Trump. No Brasil, a alta da Selic reflete a preocupação com a inflação persistente, mas também gera incertezas sobre os próximos movimentos do Banco Central.
Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos, comenta que a grande expectativa agora está nas atas das reuniões dos bancos centrais, que podem indicar a continuidade do ciclo de alta ou uma pausa nas elevações.
“Dessa vez, as explicações do colegiado serão cruciais para o mercado, ainda mais que existe um forte fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira, que tem impulsionado ações e pressionado o dólar para baixo”, explica.
Impacto nos investimentos
O aumento da Selic favorece investimentos atrelados ao CDI, como títulos pós-fixados, que acompanham essa valorização de forma quase imediata. No entanto, Cunha alerta que parte do mercado já precifica uma Selic próxima de 15% até o fim de 2025.
“O grande dilema é se o Banco Central vai elevar a Selic até 15% e, se isso ocorrer, por quanto tempo manterá essa taxa elevada. Esse fator será determinante para o comportamento dos ativos de renda fixa e variável nos próximos meses”, destaca.