Envio de dinheiro

Brasileiros gastaram US$ 708 milhões em tarifas ocultas em envio internacional de dinheiro em 2024

Durante o ano de 2024, o montante total desembolsado por pessoas físicas no Brasil ao enviar, muitas vezes sem conhecimento dos custos reais, alcançou US$ 708 milhões.

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Brasileiros gastam grande quantia de dinheiro em tarifas ocultas ao realizarem transações internacionais. Durante o ano de 2024, o montante total desembolsado por pessoas físicas no Brasil ao enviar, muitas vezes sem conhecimento dos custos reais, alcançou US$ 708 milhões, de acordo com estudo encomendado pela Wise à Edgar, Dunn & Company (EDC), empresa global de pesquisa. A estimativa é que ao fim de 2025, a população brasileira tenha gasto US$ 811 milhões com esses valores ocultos.

As tarifas ocultas são aquelas escondidas em letras miúdas, adicionadas de última hora ou agrupadas com outros custos, como uma margem de câmbio, o que as torna difíceis de detectar. Ou seja, são milhões de dólares que são desembolsados sem conhecimento claro do que está sendo pago – o estudo aponta a urgência brasileira por transparência no mercado de câmbio, assim como promover um mercado mais justo para o consumidor final.

Em 2023, os brasileiros gastaram US$ 620 milhões com tarifas ocultas – em 2024, o valor aumentou 14,19%. A projeção para 2025 não é positiva: estima-se que os gastos de pessoa física com valores ocultos devem aumentar 14,54% em remessas internacionais. O estudo projeta ainda que, em 2029, o gasto com tarifas ocultas dos brasileiros chegue a US$ 1,435 bilhão, seguindo o padrão de crescimento das cifras de remessas enviadas do Brasil para o exterior.

No ano passado, a Wise divulgou uma análise conduzida pela Anderson Consulting que mostrou que a maioria dos provedores de câmbio no Brasil utilizam taxas de câmbio infladas, com custos não identificados que podem chegar a 5.8% do valor do câmbio de mercado. Também em 2024, para conscientizar sobre a importância da transparência nesse setor e cobrar uma mudança, a empresa trouxe ao Brasil a campanha #NadaaEsconder, que inclui uma petição global e já soma mais de 15 mil assinaturas no mundo todo.

A pesquisa da EDC destaca que só os brasileiros pessoa física enviaram cerca de US$ 38,1 bilhões para o exterior e receberam US$ 23,380 bilhões em 2024. Em 2025, esses valores devem chegar a R$ 44 bilhões e US$ 28,206 bilhões, respectivamente, o que demonstra a necessidade de atenção às tarifas cobradas nessas transações – isso evitará custos desnecessários e indevidos, principalmente em remessas de alto valor.

Esse desafio não se limita ao Brasil. Em 2024, a Wise lançou uma análise mostrando o progresso dos países do G20 em direção à transparência de custos e ao acesso direto de provedores de pagamento não bancários aos sistemas de pagamento. Esses são fatores críticos para melhorar os pagamentos transfronteiriços, conforme descrito no Roteiro do G20, estabelecido em 2020, com metas a serem alcançadas até 2027. O relatório foca nessas duas prioridades porque o acesso direto e a transparência de preços são fundamentais para reduzir custos e aumentar a velocidade. Sem atingir a primeira, a última não será possível.

As descobertas dessa análise visam contribuir para os esforços globais de melhorar a eficiência, transparência e inclusão dos pagamentos transfronteiriços. Ao identificar o estado atual entre os membros do G20, formuladores de políticas, instituições financeiras e órgãos reguladores podem colaborar para atingir os objetivos do Roteiro.

Fernando Américo
Fernando Américo
Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvol