
- A empresa enfrenta sua pior crise, com atrasos no pagamento do FGTS dos funcionários e dívidas com transportadoras terceirizadas
- Pelo menos duas entidades sindicais notificaram os Correios sobre os atrasos, aumentando a pressão sobre a gestão da empresa
- A situação crítica dos Correios levanta questionamentos entre parlamentares, que exigem respostas para a crise financeira da estatal
Os Correios enfrentam uma crise financeira sem precedentes, agravada por atrasos no pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de seus funcionários.
Pelo menos duas das principais entidades sindicais da categoria notificaram a estatal sobre o problema, enquanto transportadoras terceirizadas também cobram pagamentos pendentes. O cenário gera pressão sobre a gestão da empresa e levanta questionamentos no Congresso Nacional.
Sindicatos cobram explicações sobre FGTS
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) e o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de São Paulo (Sintect/SP) enviaram notificações ao presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, exigindo esclarecimentos sobre o atraso no depósito do FGTS.
Por lei, o pagamento deve ser realizado até o dia 20 de cada mês, mas, segundo as entidades, os valores não foram repassados no prazo estabelecido.
“Temos recebido diversas reclamações por parte da categoria, de que neste mês, até a presente data, a empresa não realizou o referido depósito, fato que tem trazido preocupação aos trabalhadores e a esta entidade”, destacou a Fentect em carta enviada à direção da estatal.
O presidente do Sintect/SP, Elias Diviza, afirmou que aguarda a regularização da situação até o dia 31 de março antes de tomar novas medidas. Já os Correios negam qualquer irregularidade e garantem que os depósitos estão sendo feitos conforme a legislação vigente.
Transportadoras denunciam falta de pagamento
Além do impasse com os funcionários, os Correios enfrentam pressão das empresas terceirizadas responsáveis pelo transporte de mercadorias. No último dia 21 de março, 31 transportadoras enviaram uma carta à estatal denunciando o atraso no pagamento pelos serviços prestados em janeiro. Naquele mês, a empresa já havia registrado um prejuízo de R$ 424 milhões.
Em resposta, os Correios afirmaram que o problema foi causado por uma falha técnica e que os pagamentos começaram a ser retomados.
“Os pagamentos já foram realizados e as compensações serão concluídas até o início da próxima semana. Importante destacar que as entregas em todo o país não foram afetadas e ocorrem normalmente”, declarou a estatal em nota oficial.
Déficit bilionário e pedido de CPI no Senado
Sob o comando de Fabiano Silva dos Santos, os Correios acumularam um prejuízo recorde de R$ 3,2 bilhões em 2024. O déficit continuou em janeiro de 2025, com um rombo de R$ 424 milhões, o maior já registrado para o mês na história da empresa.
Diante da situação, o senador Márcio Bittar (União Brasil-AC) protocolou um pedido para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os prejuízos da estatal.
O requerimento, apresentado em 19 de fevereiro de 2025, já conta com 32 assinaturas. E, dessa forma, aguarda análise do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A crise financeira e os atrasos nos pagamentos aumentam a pressão sobre a gestão da empresa. Que precisa, no entanto, apresentar soluções para evitar novos prejuízos e garantir a manutenção dos serviços essenciais prestados pelos Correios à população.