
- Índice subiu de 47% para 53% em três meses, refletindo insatisfação generalizada mesmo com dados econômicos estáveis.
- Desaprovação sobe para 47%, e percepção de piora econômica atinge 41% dos brasileiros.
- Entre os jovens de 16 a 24 anos, 61% dizem que o poder de compra piorou. No Nordeste, índice chega a 55%.
A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), revelou um aumento na insatisfação da população com o poder de compra no governo Lula. Segundo os dados, 53% dos entrevistados acreditam que a capacidade de consumo piorou desde o início do atual mandato. Esse índice representa um salto em relação aos 47% que manifestaram o mesmo sentimento na rodada anterior, publicada em janeiro.
A sondagem ouviu 2.045 pessoas entre os dias 25 e 27 de março. O levantamento também apontou que apenas 21% avaliam ter melhorado o poder de compra no período, enquanto 25% acreditam que a situação permaneceu igual. A pesquisa possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Avaliação econômica se deteriora, mesmo com inflação controlada
O levantamento da Quaest também evidenciou uma piora na percepção geral sobre a economia. Para 41% dos entrevistados, o cenário econômico do país está pior do que no início do governo Lula. Em janeiro, esse grupo representava 35% da população. Por outro lado, 29% disseram que a economia melhorou, enquanto outros 27% consideram que está igual.
Esse dado chama a atenção principalmente porque os principais indicadores econômicos permanecem relativamente estáveis. A inflação segue sob controle, a taxa Selic está em trajetória de queda, e o desemprego continua em patamar historicamente baixo. Ainda assim, o sentimento entre os brasileiros piorou, o que sugere que os efeitos dessas melhorias não chegaram ao cotidiano da maior parte da população.
Insatisfação impacta diretamente a imagem do governo
A deterioração da percepção econômica tem afetado diretamente a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O percentual de pessoas que desaprovam sua forma de governar subiu de 43% em janeiro para 47% em março. Em contrapartida, a aprovação oscilou negativamente, de 51% para 49%.
Além disso, o percentual de brasileiros que considera o governo “ruim” ou “péssimo” aumentou de 29% para 33% no período. Já os que o avaliam como “bom” ou “ótimo” caíram de 35% para 33%. Outros 31% classificam a gestão como regular. A percepção de que a vida piorou durante o atual mandato também cresceu: agora, 34% afirmam isso, contra 29% no início do ano.
Segundo os analistas da Genial/Quaest, o governo enfrenta dificuldades em comunicar seus avanços econômicos e em transformar os dados positivos em percepções concretas entre os eleitores. A desconexão entre indicadores técnicos e sentimento da população levanta sinais de alerta no Planalto.
Jovens, mulheres e moradores do Nordeste concentram maior insatisfação
O levantamento também mostrou que a insatisfação se concentra com mais intensidade entre os jovens de 16 a 24 anos, as mulheres e os moradores do Nordeste — público tradicionalmente mais próximo ao presidente Lula. Entre os mais jovens, 61% afirmam que o poder de compra piorou. Entre as mulheres, esse índice é de 57%, e no Nordeste, de 55%.
Essa mudança de humor no eleitorado mais fiel ao petista preocupa aliados no Congresso. Parlamentares da base avaliam que a comunicação do governo precisa melhorar, principalmente sobre os programas sociais e as medidas de estímulo à economia. Além disso, o Palácio do Planalto pretende intensificar a divulgação de ações como o novo PAC, o reajuste do salário mínimo e a ampliação de benefícios sociais.
Cenário exige resposta rápida e comunicação mais assertiva
Diante desses números, auxiliares do governo reconhecem que será preciso intensificar ações concretas voltadas ao aumento da renda e à redução da desigualdade. Embora o governo tenha entregue algumas medidas de impacto, como a queda gradual dos juros e o aumento do Bolsa Família, essas iniciativas ainda não produziram mudanças perceptíveis no dia a dia da maioria da população.
Portanto, o Planalto já discute mudanças na comunicação institucional para destacar os avanços da gestão. A ideia é reforçar a presença nas redes sociais e nos meios regionais, com linguagem direta e foco em entregas locais. Além disso, integrantes da Secom admitem que há espaço para ampliar a articulação com influenciadores e lideranças comunitárias.
A expectativa do governo é de que, com a melhora dos indicadores econômicos ao longo do segundo semestre, a percepção popular também evolua positivamente. No entanto, especialistas apontam que o tempo é curto e que os próximos meses serão decisivos para recuperar a confiança dos brasileiros.