
- Mercado espera adiamento do balanço trimestral, ampliando a incerteza sobre a empresa.
- CVM vai à Justiça para ter acesso às informações financeiras da Ambipar (AMBP3).
- Regulador questiona sumiço de caixa bilionário e pede transparência total.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) entrou na Justiça para acessar os dados financeiros da Ambipar (AMBP3), que está em recuperação judicial desde setembro. O órgão regulador quer saber para onde foi o caixa de R$ 4,7 bilhões registrado nas últimas demonstrações da empresa, entregues antes do pedido de proteção contra credores.
A CVM moveu a ação na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e pediu acesso à íntegra dos autos do processo de recuperação. Segundo a autarquia, a companhia não enviou documentos obrigatórios, como contratos financeiros, relação de empregados e as demonstrações contábeis mais recentes.
Regulador cobra transparência e questiona sumiço de informações
Na petição assinada pela procuradora federal Luciana Silva Alves, a CVM afirma que “dúvidas pairam” sobre se a Ambipar apenas deixou de encaminhar os documentos ao regulador ou se também não os apresentou à Justiça.
O órgão destacou que o caso levanta inconsistências graves, já que as demonstrações de junho mostravam forte posição de caixa, contrastando com o pedido de recuperação apenas quatro meses depois.
Para a CVM, esse descompasso reforça a necessidade de uma investigação detalhada sobre as condições reais da companhia.
A autarquia ainda argumenta que sigilo judicial não se aplica ao regulador, pois ele é o responsável pela fiscalização de empresas de capital aberto, como a Ambipar.
Caixa bilionário e dúvidas sobre o destino dos recursos
Quando apresentou o pedido de recuperação, a Ambipar informou ao juiz o valor em caixa em envelope lacrado e sob sigilo, o que impede o acesso até mesmo dos credores. Desde então, nenhuma atualização pública foi feita sobre os números.
A empresa justificou o pedido alegando pressão cambial por contratos de swap com o Deutsche Bank, que exigiam chamadas de margem adicionais. O não pagamento de uma dessas chamadas, de R$ 60 milhões, poderia antecipar o vencimento de dívidas e agravar a crise financeira.
Para o mercado, o caso expõe fragilidade na governança da Ambipar, que até o segundo trimestre reportava alta liquidez e estabilidade operacional. Agora, o foco está em descobrir se houve erro contábil, má gestão ou ocultação de informações.
Divulgação de balanço deve ser adiada novamente
A Ambipar havia marcado a divulgação do balanço do 3º trimestre de 2025 para o dia 13 de novembro, mas analistas já esperam novo adiamento diante da disputa com a CVM.
Sem os dados completos, o mercado permanece no escuro sobre a real situação financeira da empresa.
Além disso, o adiamento da divulgação pode ampliar a desconfiança dos investidores e pressionar ainda mais as ações (AMBP3).
Por fim, procurada, a Ambipar não comentou o caso até o momento.