Desafios monetários

Galípolo crítica subsídios governamentais a economia

Gabriel Galípolo enfatiza a necessidade de um debate mais amplo e transparente sobre os desafios monetários do Brasil

Galípolo crítica subsídios governamentais a economia
  • Gabriel Galípolo, criticou os subsídios cruzados no Brasil, classificando-os como “perversos e regressivos”
  • Durante evento na Câmara, Galípolo destacou a dificuldade em comunicar as decisões do Copom à população
  • A declaração foi feita em sessão solene que celebrou as seis décadas da autarquia, reforçando o papel da instituição na estabilidade econômica e os desafios futuros

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (01) que a economia brasileira é impactada por subsídios cruzados, considerados perversos e regressivos. A declaração ocorreu durante uma sessão solene na Câmara dos Deputados, em homenagem aos 60 anos da autarquia.

Ele ressaltou que a comunicação é um dos grandes desafios da autoridade monetária e que a população precisa compreender melhor as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).

O papel da comunicação na política monetária

Galípolo defendeu que o Banco Central deve ampliar seu diálogo com a sociedade, não apenas com o mercado financeiro. Ele explicou que a comunicação monetária era um tema praticamente inexistente até meados dos anos 1990. Mas, que se tornou essencial para garantir a transparência das decisões da autarquia.

“Mesmo as autoridades monetárias das principais economias do mundo não comunicavam nem suas decisões de política monetária. Esse é um tema que cresceu e impõe o desafio de falarmos mais sobre a economia”, destacou.

O presidente do BC afirmou que é fundamental que a instituição amplie sua participação no debate público. Dessa forma, abordando temas como estabilidade econômica, combate a fraudes financeiras e regulação de mercado.

“As autoridades monetárias precisam cada vez mais dialogar com o público mais amplo, para que todos compreendam melhor as decisões que impactam suas vidas”, acrescentou.

Subsídios e distorções na economia

Galípolo apontou que um dos fatores que dificultam a transmissão da política monetária no Brasil é a existência de subsídios cruzados, que beneficiam alguns setores em detrimento de outros. Ele classificou essas distorções como “perversas e regressivas” e afirmou que esses mecanismos tornam os efeitos das taxas de juros menos previsíveis.

“Muitas vezes, é preciso administrar doses maiores do remédio para conseguir o mesmo efeito. Os subsídios existentes dificultam a transmissão da política monetária, criando um cenário em que os juros precisam ser mais altos para conter a inflação”, explicou.

Ele ressaltou que, apesar dessas dificuldades, a economia brasileira continua demonstrando dinamismo, com taxas de desemprego em queda e aumento do rendimento das famílias.

Críticas à política de juros e autonomia do BC

Durante a sessão na Câmara, alguns parlamentares criticaram os altos juros praticados pelo Banco Central. O deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) questionou a necessidade de uma taxa Selic elevada e comparou os juros do Brasil com os dos Estados Unidos, que atualmente são bem menores.

Em resposta, Galípolo reforçou que críticas ao trabalho do BC são legítimas, especialmente quando vindas de representantes eleitos democraticamente.

“É essencial e é óbvio que é legítimo que pessoas eleitas pelo povo se manifestem sobre a política monetária”, afirmou.

No entanto, ele defendeu a necessidade de manter a autonomia do Banco Central para garantir uma gestão eficaz da política econômica.

Com essa abordagem, Galípolo busca reforçar a importância de um debate econômico mais transparente e acessível, permitindo que a população compreenda melhor as decisões tomadas pela autoridade monetária.

Rocha Schwartz
Paola Rocha Schwartz
Estudante de Jornalismo, apaixonada por redação e escrita! Tenho experiência na área educacional (alfabetização e letramento) e na área comercial/administrativ