
- Com cenário incerto para os preços do petróleo, o banco sugere seletividade nos investimentos em ações do segmento
- RPRIO (PRIO3) caiu para “neutro” e Brava Energia (BRAV3) para “venda”, enquanto Petrobras (PETR3/PETR4) mantém status de “compra”
- Apesar do ajuste em outras empresas, a estatal brasileira permanece como principal recomendação de investimento no relatório
O Goldman Sachs revisou suas recomendações para empresas do setor de petróleo e gás, destacando um cenário incerto para os preços da commodity e a necessidade de seletividade nos investimentos.
Em seu novo relatório, o banco rebaixou a PRIO (PRIO3) para neutro e a Brava Energia (BRAV3) para venda, enquanto manteve a recomendação de compra para a Petrobras (PETR3; PETR4).
O banco justifica sua visão apontando para riscos de médio prazo na precificação do petróleo, apesar de um possível impulso de curto prazo devido a sanções internacionais.
“Em um cenário de baixa para os preços do petróleo, continuamos seletivos e definimos nossa preferência por ações que podem trazer um rendimento de dividendos atrativo com risco de execução limitado (por exemplo, Petrobras) ou ações que têm forte visibilidade de crescimento em 2025 (por exemplo, Vista Energy, que está pronta para aumentar a produção em direção ao 2S25)”, avaliam os analistas.
PRIO enfrenta desafios com Wahoo
O Goldman Sachs rebaixou a PRIO para neutro devido a preocupações com atrasos na produção do campo de Wahoo. Apesar da empresa operar com uma avaliação atrativa, o banco alerta que a falta de clareza sobre o cronograma do primeiro óleo. Além da necessidade de uma licença adicional do IBAMA representam riscos consideráveis.
Os analistas destacaram que, embora a licença de perfuração tenha sido recentemente aprovada, a PRIO ainda precisa obter novas autorizações. E, além disso, concluir a instalação da linha de produção.
O banco estima que o início da produção em Wahoo possa ocorrer apenas em 2026, o que limita o potencial de valorização da ação no curto prazo. O preço-alvo estabelecido pelo Goldman para os próximos 12 meses é de R$ 47,60. Assim, representando uma valorização potencial de 20% em relação ao último fechamento.
Brava Energia sofre impacto da volatilidade do petróleo
Para a Brava Energia, o Goldman Sachs rebaixou a recomendação para venda, citando sua maior sensibilidade a preços mais baixos do petróleo e um fluxo de caixa livre menos atrativo em comparação com concorrentes.
O banco também reduziu o preço-alvo da ação de R$ 23 para R$ 20,60, refletindo expectativas de menor rentabilidade da empresa no período de 2025-2026.
Os analistas explicam que o perfil da Brava Energia a torna mais vulnerável a oscilações no preço do petróleo, além de projetarem um Ebitda 15% abaixo do consenso de mercado para 2026.
Embora parte dessa diferença possa estar relacionada a estimativas otimistas de preço do barril Brent, o Goldman também acredita que há expectativas exageradas em relação à produção futura da companhia. Com isso, a empresa enfrenta um cenário desafiador, especialmente em um momento de incertezas no setor.
“Embora reconheçamos que parte disso pode ser explicado pelos preços do petróleo (já que as estimativas do lado da venda para os preços do Brent estão acima do que está implícito na curva futura), acreditamos que pelo menos parte disso também pode ser explicado por estimativas de produção acima das nossas”, avalia o Goldman. O preço-alvo foi reduzido de R$ 23 para R$ 20,60.
Petrobras segue como aposta do Goldman
Apesar das preocupações com o mercado de petróleo, o Goldman Sachs reafirmou sua recomendação de compra para a Petrobras. Assim, destacando o potencial de retorno em dividendos e a solidez da empresa dentro do setor.
Além disso, o banco mantém sua preferência por utilities brasileiras, como Sabesp (SBSP3), Equatorial (EQTL3) e Copel (CPLE6), que apresentam menor exposição à volatilidade das commodities.
No caso da PetroReconcavo (RECV3), a recomendação permaneceu neutra, com os analistas reconhecendo o potencial de pagamento de dividendos robustos nos próximos anos. Mas, ainda, alertando para a falta de crescimento na produção, o que poderia limitar a valorização das ações.
Com essa nova análise, o Goldman Sachs destaca a necessidade de cautela ao investir no setor de petróleo e gás, priorizando empresas com menor risco de execução e maior previsibilidade de crescimento.
Confira abaixo a tabela das recomendações do Goldman Sachs: